FIIs

Selic a 14% ao ano: ainda vale a pena investir em FIIs?

Selic a 14% ao ano: ainda vale a pena investir em FIIs?
Imagem gerada por IA

A decisão do Copom de cortar a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano reabriu uma questão recorrente entre investidores: ainda compensa alocar em fundos imobiliários (FIIs) ou a renda fixa segue como alternativa preferencial?

A resposta varia conforme o perfil e a estratégia. Mesmo após a quarta redução consecutiva da Selic, o nível permanece historicamente elevado, o que mantém Tesouro Selic, CDBs e outros títulos pós-fixados em patamar competitivo.

Ao mesmo tempo, especialistas apontam que os FIIs continuam no radar, sobretudo para quem investe com horizonte de longo prazo e escolhe carteiras com fundamentos consistentes.

Queda da taxa Selic não inviabiliza renda fixa

Cortes de juros tendem a favorecer ativos de maior risco, como ações e fundos imobiliários, pois reduzem a atratividade das novas aplicações em renda fixa ao longo do tempo. Esse movimento, porém, costuma ser gradual.

Com a taxa básica ainda em 14% ao ano, a renda fixa segue oferecendo retornos elevados e competindo com os FIIs pela preferência do investidor. Além disso, o mercado monitora os próximos passos do Banco Central, condicionados à dinâmica da inflação, da atividade econômica e das expectativas sobre a política monetária.

Na prática, analistas afirmam que uma redução isolada de 0,25 ponto percentual na Selic, por si só, não altera de forma significativa a alocação das carteiras.

Segmentos de FIIs reagem de modo distinto

Os efeitos dos juros variam conforme o segmento do fundo imobiliário. Os fundos de papel, que investem principalmente em CRIs, seguem favorecidos no contexto atual de juros elevados. Parte relevante dessas carteiras é indexada ao CDI ou à inflação, o que tende a sustentar os rendimentos enquanto essas referências permanecerem altas.

Já os fundos de tijolo — proprietários de galpões logísticos, shopping centers, lajes corporativas e outros imóveis — costumam reagir mais à expectativa de queda de juros, refletindo sobretudo no preço das cotas. Quando o mercado passa a projetar uma trajetória mais consistente de redução da Selic e dos juros futuros, esses fundos podem se beneficiar da melhora na percepção sobre o setor imobiliário, do menor custo de financiamento e do aumento do interesse por ativos de renda variável.

Qualidade da carteira pesa mais que a Selic

Mesmo com juros em trajetória de queda, a orientação é não decidir apenas com base no dividend yield, que relaciona dividendos distribuídos e preço da cota. Rendimentos muito elevados podem refletir riscos, como concentração em poucos ativos, maior exposição ao crédito ou operações de maior risco.

Por isso, a análise deve incluir qualidade da gestão, perfil dos imóveis ou dos recebíveis, diversificação da carteira, vacância, liquidez das cotas e estratégia do fundo. Esse cuidado ganha relevância em ambiente de juros elevados, quando o mercado tende a privilegiar ativos mais previsíveis e defensivos.

O que observar daqui para frente

A redução da Selic para 14% é mais um passo no ciclo de flexibilização monetária, mas, isoladamente, não muda o quadro dos fundos imobiliários. Enquanto os juros permanecerem altos, os fundos de papel tendem a seguir apoiados pela indexação de parte das carteiras ao CDI ou à inflação.

Uma continuidade do ciclo de cortes, por sua vez, pode favorecer segmentos específicos dos fundos de tijolo, especialmente aqueles negociados com desconto em relação ao valor patrimonial e que mantenham fundamentos sólidos. Na avaliação de especialistas, a escolha dos FIIs depende sobretudo da qualidade dos ativos, da gestão e da estratégia, mais do que apenas do nível da Selic.

Em um contexto que combina juros elevados e incertezas sobre os próximos passos da política monetária, a seletividade permanece como critério central para a composição da carteira.

ACESSO RÁPIDO

    Leia também