O Santander Brasil (SANB11) adicionou uma nova camada de proteção ao balanço ao captar R$ 600,3 milhões com a emissão de letras financeiras subordinadas. Os papéis foram colocados de forma privada junto a investidores, com o objetivo de reforçar o capital regulatório da instituição.
Segundo comunicado no site de Relações com Investidores, os recursos integrarão o Nível II do Patrimônio de Referência. A operação tem prazo de dez anos e prevê a possibilidade de recompra pelo banco a partir de 2031, condicionada às regras regulatórias vigentes.
As letras financeiras emitidas carregam cláusula de subordinação. Em uma eventual liquidação, seus detentores ficam atrás dos credores não subordinados na ordem de recebimento. Essa característica permite o enquadramento dos títulos como parte do capital regulatório do banco.
Como funcionam as letras financeiras
As letras financeiras são títulos de renda fixa criados para captar recursos de médio e longo prazo. O investidor entrega recursos ao emissor e recebe uma remuneração definida nas condições da oferta.
No caso informado, a subordinação dos papéis estabelece prioridade inferior no fluxo de pagamento em situações de estresse. Com isso, os instrumentos podem compor o capital regulatório, respeitados os critérios aplicáveis às instituições financeiras.
De acordo com a B3, letras financeiras subordinadas têm prazo mínimo de emissão de 60 meses e não podem ser resgatadas antes desse período. O vencimento em dez anos anunciado pelo banco amplia o horizonte de longo prazo da captação.
O comunicado não detalha a remuneração ofertada aos investidores, o número de compradores ou as datas exatas de emissão e vencimento. Também não indica se a instituição pretende exercer a opção de recompra a partir de 2031.
Emissão reforça capital do Santander
O Patrimônio de Referência mede a capacidade de uma instituição financeira de absorver perdas e manter suas operações diante dos riscos assumidos. Ele é segmentado em camadas, conforme a qualidade e a capacidade de absorção de prejuízos dos instrumentos que o compõem.
Os R$ 600,3 milhões captados foram autorizados especificamente para o Capital Nível II. Essa fatia admite instrumentos subordinados de prazo longo, desde que cumpram os requisitos do Banco Central, e serve como colchão adicional para a solidez financeira.
Ao ampliar essa camada do patrimônio regulatório, a emissão fortalece a estrutura de capital sem necessidade de nova oferta de ações. A operação também amplia a base de recursos de longo prazo e pode contribuir para o cumprimento de limites prudenciais exigidos pelo regulador.
A inclusão dos títulos no Capital Nível II está amparada pela Resolução BCB nº 122, de agosto de 2021, que trata do depósito e da utilização de recursos captados com letras financeiras para composição do Patrimônio de Referência. Com isso, os novos papéis terão impacto no índice de capitalização Nível II do Santander Brasil, conforme informado pela instituição.