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Inteligência artificial corta falsos positivos na BSM

Inteligência artificial corta falsos positivos na BSM
Imagem gerada por IA

A inteligência artificial já altera uma atividade pouco visível ao público, mas central para o mercado de capitais: a fiscalização de operações. Estudo da BSM Supervisão de Mercados, autorreguladora que acompanha os mercados administrados pela B3 (B3SA3), indica queda de 50% nos falsos positivos e aceleração de determinadas análises em até 90%.

A BSM monitora negociações realizadas nos ambientes da B3 e supervisiona corretoras, bancos e demais instituições participantes. O trabalho busca detectar comportamentos atípicos, possíveis irregularidades e descumprimentos de regras do mercado.

Hoje, a autorreguladora mantém 41 processos de alertas e rankings para identificação de atipicidades, 60 algoritmos voltados à validação e automação de processos e 63 consultas padronizadas para geração de informações. Desse conjunto, 11 processos utilizam modelos de machine learning e inteligência artificial.

Os dados integram um estudo produzido pela própria BSM com base em sua experiência institucional na supervisão dos mercados organizados administrados pela B3.

Inteligência artificial corta falsos positivos em 50%

Em uma das aplicações listadas, um modelo supervisionado de machine learning usado no monitoramento de transações reduziu em 50% os falsos positivos. Esses falsos positivos são alertas de sistemas ou avaliadores que, após verificação, não se confirmam como práticas irregulares.

Isso ocorre quando, por exemplo, uma operação comum é inicialmente classificada como comportamento atípico. Outra frente foi a implantação de uma sala de dados conversacional apoiada por IA, que reduziu de quatro horas para uma hora o tempo de análise humana de indicadores ligados ao comportamento de investidores em operações de compra e venda de ativos no curto prazo.

“O crescimento dos mercados exige capacidade analítica cada vez maior. A inteligência artificial não substitui o julgamento técnico humano de nossos especialistas, mas amplia significativamente nossa capacidade de processar informações, identificar padrões e direcionar análises”, afirma André Demarco, diretor de autorregulação da BSM.

Dados monitorados avançam mais de 370%

A adoção dessas ferramentas acompanha a expansão do volume de informações processadas pela autorreguladora. Segundo o estudo da BSM, apenas na principal base de ofertas do mercado listado, o volume monitorado cresceu 36% nos últimos dois anos.

A entidade também opera o Monitoramento Conjunto Contínuo de Dados, o MC²D, que recebe dados enviados de forma padronizada pelas instituições participantes do mercado. Atualmente, o MC²D reúne 851 campos de informação distribuídos em 93 layouts padronizados.

O volume de dados recebidos por esse sistema avançou mais de 370% nos últimos anos e já abrange aproximadamente 15 mil arquivos processados. O estudo ainda mapeia desafios de escalabilidade, governança de dados, computação em nuvem, automação e monitoramento contínuo diante do crescimento e da maior complexidade das operações financeiras.

Segundo Demarco, a tecnologia permite acompanhar a expansão do mercado sem ampliar a estrutura operacional na mesma proporção. “Estamos migrando de modelos predominantemente reativos para uma supervisão preditiva cada vez mais contínua, baseada em dados, automação e inteligência analítica”, afirma. Para o diretor da BSM, o desafio é utilizar a inteligência artificial de maneira responsável, combinando tecnologia, governança e conhecimento especializado para fortalecer a integridade dos mercados administrados pela B3.

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