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RBVA11 recebe nota acima da média da Moody’s

RBVA11 recebe nota acima da média da Moody’s
Imagem gerada por IA

O Rio Bravo Renda Varejo (RBVA11) tornou-se o primeiro fundo imobiliário da indústria a receber uma avaliação da Moody’s Local Brasil. O FII, gerido pela Rio Bravo Investimentos, foi classificado com a nota REF-2.br, o segundo nível de uma escala de cinco categorias, em que 1 é a melhor avaliação e 5, a pior.

Segundo a agência, a nota indica características acima da média em relação aos fundos analisados. A avaliação contempla diversificação do portfólio, previsibilidade das receitas, alavancagem, eficiência operacional e qualidade da equipe de gestão.

Em entrevista ao Money Times, Alexandre Rodrigues, sócio e gestor da Rio Bravo, afirmou que a iniciativa partiu de conversas entre a gestora e a agência. O objetivo foi obter uma análise que considerasse não só o risco de crédito, mas também as particularidades do FII como veículo de investimento imobiliário. De acordo com ele, o processo envolveu uma revisão ampla dos processos e da estrutura do fundo.

O desempenho das cotas segue como ponto de atenção. Conforme os dados citados pelo executivo, os papéis acumulavam queda de aproximadamente 13% em 2026, fator que pesa para uma eventual elevação da nota. “A Moody’s coloca no relatório uma melhora da precificação no próprio mercado secundário. Ou seja, o primeiro passo para a nossa nota melhorar seria o papel subir na B3”, disse Rodrigues ao Money Times.

A gestora trabalha em reciclagem e reposicionamento de ativos para apoiar a recuperação do preço das cotas, com foco em imóveis que funcionavam como agências bancárias e que podem ser destinados a outros segmentos do varejo.

Avaliação da Moody’s Local Brasil e metodologia

Na análise publicada em setembro, a Moody’s destacou o porte e a diversificação do FII frente a pares do segmento. O portfólio soma 74 ativos voltados ao varejo, distribuídos por diferentes regiões do país, incluindo imóveis de varejo tradicional, ativos varejistas Triple A e empreendimentos educacionais.

A agência também apontou menor concentração de ativos e locatários em comparação com fundos semelhantes. Outro diferencial é o prazo contratual: cerca de metade das receitas está atrelada a contratos com vencimento em 2030 ou depois, reduzindo a exposição a renegociações no curto e médio prazo.

O desempenho ajustado ao risco ficou em linha com o de fundos comparáveis e benchmarks nos 24 meses encerrados em março de 2026, conforme o relatório. A alavancagem foi classificada como conservadora: o loan-to-value (LTV) médio foi de 13,3% nos últimos cinco anos, abaixo dos pares, favorecido por captações realizadas em períodos de juros reais mais baixos, o que contribuiu para o custo da dívida.

Dívida, indexadores e emissões em foco

Entre os pontos que requerem acompanhamento, a Moody’s citou cerca de R$ 62,8 milhões em dívidas a amortizar nos 18 meses seguintes à análise. O relatório também registrou um descasamento parcial de indexadores: enquanto o passivo é integralmente corrigido pelo IPCA, parte das receitas do fundo está atrelada ao IGP-M.

A flexibilidade prevista em regulamento para o gestor definir volume e preço de novas emissões foi considerada na análise. Segundo a agência, o risco associado é parcialmente mitigado pelo direito de preferência dos cotistas e pelo histórico de emissões referenciadas no valor patrimonial das cotas.

A estrutura de custos foi avaliada como eficiente, com despesas recorrentes baixas frente a fundos semelhantes e ausência de taxa de performance.

O que pode levar o Rio Bravo Renda Varejo à nota máxima

De acordo com a Moody’s Local Brasil, uma eventual melhora da avaliação dependerá de avanços sustentados no desempenho ajustado ao risco em relação a pares e benchmarks, além do fortalecimento do perfil financeiro da gestora.

Por outro lado, uma deterioração desse desempenho, uma redução relevante dos ativos sob gestão, desvios nos processos de investimento ou uma queda expressiva no número de profissionais dedicados à gestão podem pressionar a nota.

A Moody’s ressalta que a classificação REF-2.br não equivale a um rating de crédito e não constitui recomendação de compra, venda ou manutenção das cotas. A avaliação examina as características do FII como fundo imobiliário, levando em conta sua estrutura, gestão, portfólio e perfil financeiro.

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