Internacional

Oracle avança com IA e nuvem no 2T26; ações sobem 4,3%

Oracle avança com IA e nuvem no 2T26; ações sobem 4,3%
Imagem gerada por IA

As ações da Oracle (ORCL) avançaram cerca de 4,3% após a divulgação do segundo trimestre fiscal de 2026. O resultado superou previsões e indicou que a expansão da inteligência artificial demanda investimentos crescentes. As informações constam de relatório da XP, assinado por Maria Irene Jordão e Raphael Figueredo.

A empresa reportou receita de US$ 19,3 bilhões, alta de 29,6% frente ao mesmo período do ano anterior. O lucro por ação ajustado atingiu US$ 1,92, avanço de 30,6% e acima da projeção de US$ 1,75.

Oracle acelera na nuvem e na inteligência artificial


O destaque do trimestre foi a divisão de infraestrutura em nuvem, o IaaS. A receita chegou a US$ 7,4 bilhões, crescimento de 121% em doze meses. Segundo a XP, este foi o nono trimestre consecutivo de aceleração do segmento.

A área de CPU e GPU, essencial para o processamento de aplicações de inteligência artificial, somou US$ 6,5 bilhões, alta de 151%. No período, a companhia entregou 850 megawatts adicionais em data centers e mais de 300 mil GPUs.

A utilização da infraestrutura de inteligência artificial alcançou 97,9%, sugerindo que a procura segue acima da oferta. O backlog, carteira de contratos a executar, saltou para US$ 664 bilhões, ante US$ 209 bilhões um ano antes. Mais de US$ 30 bilhões em novos contratos foram firmados no trimestre.

O avanço, porém, ficou concentrado na nuvem. A receita de aplicações em nuvem, ou SaaS, subiu 10%, para US$ 4,2 bilhões, enquanto o software instalado localmente recuou 3% no comparativo anual.

Crescimento pressiona o caixa


Apesar do aumento das vendas, a margem operacional permaneceu em 42%. Os custos de nuvem e software cresceram 77%, e a depreciação mais que dobrou, chegando a US$ 3,2 bilhões no trimestre.

O fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 5,4 bilhões, frente a uma geração negativa de US$ 400 milhões no trimestre anterior. O movimento reflete o ciclo de investimentos para expansão da capacidade de data centers.

O capex atingiu US$ 28,5 bilhões, alta de 235% em um ano. Parte desse esforço foi financiada por uma emissão de US$ 20 bilhões em ações, o que pode elevar o número de papéis em circulação e diluir a participação dos acionistas atuais.

Para o ano fiscal, a Oracle projeta receita de pelo menos US$ 90 bilhões e lucro por ação de US$ 8,10, crescimento de 18% quando desconsiderados efeitos não recorrentes. As metas reforçam a prioridade na ampliação da infraestrutura para atender contratos já assinados.

O que o resultado significa para o investidor?
Os números consolidam a Oracle entre as fornecedoras de infraestrutura para a expansão da inteligência artificial. O volume de contratos futuros amplia a previsibilidade de receita para os próximos anos e indica continuidade da demanda por grandes clientes.

Em paralelo, o backlog precisa se transformar em faturamento e geração de caixa. Acompanhamento de margens, alavancagem, eventuais novas emissões de ações e concentração de clientes permanece como pontos de atenção para o mercado.

A leitura da XP é positiva, porém com cautela. “Seguimos com visão construtiva, porém seletiva, para a tese de hyperscalers”, escreveram os analistas. Para a Oracle, o desafio é comprovar que o crescimento da inteligência artificial será capaz de gerar caixa suficiente para compensar o alto custo de expansão.

ACESSO RÁPIDO

    Leia também