Internacional

IPO da Shein em Hong Kong pode levantar US$ 1,77 bi

IPO da Shein em Hong Kong pode levantar US$ 1,77 bi
Imagem gerada por IA

A oferta inicial de ações da varejista de moda rápida avança em Hong Kong. O IPO da Shein pode movimentar até HK$ 13,86 bilhões — cerca de US$ 1,77 bilhão — e atribuir avaliação em torno de US$ 27 bilhões. O papel terá o código 00625 na Bolsa de Hong Kong, equivalente ao ticker usado por companhias listadas na B3.

De acordo com o prospecto publicado nesta segunda-feira (24) na Bolsa de Hong Kong, a companhia colocará à venda aproximadamente 280 milhões de ações Classe B. A faixa indicativa de preço vai de HK$ 47,60 a HK$ 49,50 por ação, com possibilidade de ajuste na quantidade por meio do lote adicional.

A oferta pública local receberá, inicialmente, 10% dos papéis, enquanto 90% serão direcionados ao mercado internacional, proporção que pode ser revista conforme a demanda. Sete investidores âncora — entre eles Boyu Capital, Tiger Global, General Atlantic, Tencent e UBS Asset Management — comprometeram-se a aportar até US$ 383 milhões na operação.

IPO da Shein chega ao mercado com avaliação reduzida
A captação bilionária virá com uma avaliação menor do que a registrada no auge da empresa. Em 2022, uma rodada privada avaliou a Shein em quase US$ 100 bilhões. O valor máximo estimado para a abertura em Hong Kong implica queda de aproximadamente 70%.

A varejista optou pelo mercado asiático após encerrar tentativas de listagem em Nova York e Londres, diante de entraves regulatórios e do aumento do escrutínio sobre sua cadeia de fornecedores. Em análise divulgada pela Reuters, Lorraine Tan, diretora de pesquisa de ações da Morningstar, afirmou que “a queda na avaliação da Shein reflete, em grande medida, a mudança nas perspectivas da empresa em relação a dois ou três anos atrás, quando seu IPO foi cogitado pela primeira vez”.

O cenário operacional ajuda a explicar o desconto. No primeiro trimestre de 2026, a empresa reportou prejuízo de US$ 99 milhões, e a receita nos Estados Unidos recuou 14,3% na comparação anual. O desempenho foi afetado pelo fim da isenção tarifária norte-americana para encomendas de baixo valor e por um ajuste contábil de US$ 328 milhões.

Para onde irão os recursos do IPO da Shein
Segundo o prospecto, 40% dos recursos líquidos serão direcionados à tecnologia. Entre as frentes contempladas estão ferramentas digitais para consumidores e fornecedores, sistemas de previsão de demanda, automação de armazéns e uso de inteligência artificial na gestão de estoques.

Outros 40% serão aplicados no fortalecimento da marca e na expansão internacional, com ênfase em marketing e aquisição de clientes. A empresa destinará ainda 10% a iniciativas de responsabilidade corporativa e 10% a finalidades gerais do negócio.

A estrutura de controle não será alterada pela listagem. As ações oferecidas ao público terão um décimo do poder de voto dos papéis dos fundadores, liderados pelo presidente e CEO, Yangtian Xu. Após a estreia, o grupo continuará a deter aproximadamente 90% dos direitos de voto.

O preço definitivo será conhecido em 31 de agosto. Se as condições do prospecto forem atendidas, o IPO começará a ser negociado em 1º de setembro, sob esse código e em lotes de 100 ações. Com potencial de captação de até US$ 1,77 bilhão, a operação pode superar a oferta de US$ 751 milhões da Momenta Global e se tornar o maior IPO realizado em Hong Kong em 2026.

ACESSO RÁPIDO

    Leia também