A fintech Nubank (ROXO34) divulgou os resultados do 1º trimestre de 2026 e frustrou parte do mercado. O lucro líquido somou US$ 871,4 milhões, alta de 41% ante 2025, mas abaixo da estimativa de US$ 936 milhões da Bloomberg. A discrepância entre o crescimento forte e o guidance implícito mais conservador acendeu alertas sobre a trajetória nos próximos trimestres, especialmente em meio a maior exigência de provisões.
Na esteira do balanço, as ações reagiram negativamente. Na NYSE, os papéis ordinários (NU) caíram 6,42%, a US$ 12,10 por volta das 11h. No Brasil, os BDRs recuaram 5,30%, cotados a R$ 10,19. O movimento refletiu receios sobre a capacidade de o Nubank manter o ritmo de expansão sem pressionar margens e qualidade de ativos, dado o ciclo de crédito mais seletivo.
A carteira total avançou 40% na base anual, para US$ 37,2 bilhões, com impulso de cartões de crédito e empréstimos pessoais no Brasil e no México. Em contrapartida, o custo de crédito saltou 72% sobre igual período, com maior provisionamento. A combinação de crescimento em linhas mais arriscadas e elevação das provisões é o principal ponto de atenção para o investidor.
O banco encerrou março com mais de 135 milhões de clientes globais, adicionando 4 milhões no trimestre. No Brasil, superou 115 milhões de usuários; no México, alcançou 15 milhões e atingiu o break-even. Esse ganho de escala sustenta receitas recorrentes e melhora a diluição de custos, ainda que exija disciplina na originação.
Principais preocupações e desdobramentos:
- Sustentabilidade do crescimento em crédito ao consumo sem deterioração relevante da inadimplência
- Pressão de provisões, que somaram US$ 1,8 bilhão no trimestre, alta de 33% sequencial
- Manutenção de margens financeiras robustas em ambiente competitivo
O Itaú BBA classificou os números como “positivos no líquido”, mantendo recomendação outperform e preço-alvo de US$ 20 para 2026. Os analistas citam receitas fortes, margens melhores e normalização de risco sob controle. Para o investidor, o foco recai na capacidade do Nubank de equilibrar crescimento, risco e rentabilidade ao longo de 2026, preservando indicadores de qualidade da carteira.