O mercado de escritórios do Rio de Janeiro mostra uma nova etapa de recuperação. O Centro voltou a liderar a absorção de áreas corporativas e a vacância recuou inclusive em parte dos edifícios mais antigos. As conclusões constam de levantamento publicado pelo Diário do Rio, com dados da Sérgio Castro Imóveis e das consultorias Newmark, Colliers, JLL e CBRE.
Embora cada fonte utilize metodologias e universos de imóveis distintos, todas apontam na mesma direção: maior ocupação, menor disponibilidade de espaços e fortalecimento do mercado corporativo na capital fluminense.
Centro lidera absorção de escritórios no Rio
De acordo com o levantamento, o Centro reassumiu com folga a liderança da absorção líquida de escritórios no Rio de Janeiro. No segundo trimestre de 2026, a região somou cerca de 11 mil metros quadrados de novas ocupações, superando a Barra da Tijuca e o eixo Flamengo-Glória. A Newmark registrou ainda queda na taxa de vacância do mercado de alto padrão para 23,5%, abaixo do patamar observado no mesmo período do ano anterior.
O movimento marca uma reversão do quadro que sucedeu a pandemia de Covid-19 e a expansão do trabalho remoto. Naquele período, empresas devolveram áreas corporativas, o que elevou de forma relevante a vacância dos edifícios comerciais.
Desempenho dos escritórios varia entre os prédios
A melhora, porém, não é homogênea. Empreendimentos modernos, com infraestrutura atualizada, grandes lajes, boa localização e espaços prontos para ocupação concentram a demanda. Já imóveis antigos que requerem reformas, têm custos de condomínio mais altos ou estrutura defasada seguem com maiores dificuldades para atrair novos locatários.
Segundo a Sérgio Castro Imóveis, os prédios corporativos antigos ainda exibem vacância de 47%. O índice, no entanto, recuou frente aos 54% apurados um ano antes, indicando avanço também nesse segmento, ainda que em ritmo distinto.
Grandes operações reduzem oferta de escritórios
A recuperação foi impulsionada por operações relevantes realizadas nos últimos anos. Entre elas estão os novos escritórios do Nubank no edifício Vista Mauá e a futura mudança da Dataprev para o Ventura Corporate. Houve ainda a instalação de um hospital da Hapvida em um antigo imóvel corporativo, além de movimentações de órgãos públicos e empresas privadas que retiraram milhares de metros quadrados da oferta.
Essas operações ajudaram a reduzir a vacância e a intensificar a circulação de trabalhadores no Centro. O efeito secundário atingiu atividades como comércio, restaurantes e serviços na região.
Seletividade marca o mercado de escritórios
Os dados compilados pelo Diário do Rio mostram maior seletividade das empresas na escolha dos imóveis corporativos. Edifícios modernos e prontos para ocupação apresentam desempenho superior aos mais antigos ou que demandam investimentos de modernização.
Ao mesmo tempo, a redução gradual da vacância em diferentes segmentos sugere uma trajetória de melhora ante os níveis dos últimos anos. O ritmo, porém, varia conforme as características de cada ativo, o que reforça a preferência por projetos que combinem localização, infraestrutura e condições de ocupação alinhadas às necessidades atuais das companhias.