O FI-Infra BIDB11, da Inter Asset, atravessou abril sob a correção de preços das debêntures incentivadas, movimento que ampliou spreads e pressionou a rentabilidade do setor no mês. A gestora destaca que os papéis passaram a ser negociados com prêmios acima das NTN-Bs de referência, patamar incomum desde meados de 2025, refletindo desalinhamento temporário entre oferta e demanda.
Segundo a Inter Asset, o ciclo de forte emissão no primário, sem entrada proporcional de novos recursos, fomentou ajustes técnicos e maior seletividade. O ambiente mais adverso também redesenhou o comportamento dos investidores, elevando resgates e reduzindo o ritmo de novas ofertas. Em abril, o volume do mercado primário de debêntures incentivadas foi o menor em 20 meses, sinalizando prudência.
A gestora reforça que a correção tem natureza técnica, não indicando, de forma generalizada, deterioração de qualidade de crédito. Ainda assim, intensificou o monitoramento e realizou ajustes pontuais na carteira, priorizando governança, covenants e liquidez. Entre as mudanças, houve a saída da emissão da Águas do Rio, do grupo Aegea, após revisão contábil ligada à inadimplência do projeto no Rio de Janeiro.
A Águas do Rio revisou critérios de reconhecimento de receitas e provisões, deixando de contabilizar clientes com atraso prolongado ou cadastro incompleto até o pagamento. Esse ajuste impactou o patrimônio líquido e acendeu alertas sobre desafios operacionais regionais. Para a gestora, o caso é específico, não representando risco estrutural ao saneamento. A maior rigidez de auditorias, à luz de episódios como Americanas, também explica o escrutínio recente.
No BIDB11, o acompanhamento creditício foi reforçado com foco em covenants, estrutura de capital, contas a receber, ágios de aquisições e ativos fiscais diferidos. Entre as prioridades, estão estresse de liquidez, aderência de métricas e transparência informacional. A gestão sustenta disciplina na precificação e na reciclagem de portfólio.
Apesar da abertura dos spreads, o FI-Infra mantém posicionamento conservador, apoiado na qualidade de crédito dos emissores e no patamar elevado de juros reais. No acumulado de 2026 até abril, a cota de mercado subiu 6,06%, acima da NTN-B 2032 (4,71%), enquanto a cota patrimonial avançou 1,42%. Desde o início, o desempenho acumulado da cota de mercado é de 52,26% e o da cota patrimonial, de 50,52%, ambos superando a NTN-B 2032 (38,89%), reforçando resiliência do veículo.