O Bradesco (BBDC3 e BBDC4, códigos das ações ordinárias e preferenciais, respectivamente) confirmou mais uma etapa de uma operação bilionária: seu conselho de administração homologou o aumento de capital do Bradesco de R$ 10 bilhões, após a subscrição integral das novas ações. Com o aval do Banco Central, ainda necessário, o capital social do banco passará de R$ 93,77 bilhões para R$ 103,77 bilhões.
A decisão foi divulgada na sexta-feira (2), depois da conclusão do leilão das ações que restaram das etapas anteriores. O processo havia sido aprovado em 29 de julho.
Na prática, o banco emitiu novos papéis para receber recursos dos investidores. Quem participou da subscrição assumiu o compromisso de comprar essas ações nas condições estabelecidas.
Para que serve o aumento de capital do Bradesco
Segundo fato relevante arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a operação busca sustentar investimentos em tecnologia, ganhos de eficiência comercial e expansão dos negócios, além de iniciativas de financiamento sustentável.
O capital social corresponde aos recursos formalmente incorporados pelos acionistas. Assim, os R$ 103,77 bilhões não se confundem com o lucro do Bradesco nem com o saldo em caixa da instituição.
O aumento ocorreu pela emissão de 604.852.753 ações, sendo 302.876.396 ordinárias e 301.976.357 preferenciais. Os preços de emissão foram de R$ 15,43 por ação ordinária e R$ 17,64 por preferencial. Esses valores referem-se à subscrição e não à cotação atual dos papéis na bolsa.
O que muda para os acionistas
A emissão amplia a base de ações que representam o banco. Dessa forma, quem manteve o mesmo número de papéis sem acompanhar proporcionalmente a operação passa a deter uma fatia menor da companhia, efeito conhecido como diluição.
Os acionistas tiveram direito de preferência para subscrever novas ações e preservar sua participação proporcional. O prazo dessa etapa terminou em 4 de setembro. De acordo com o documento do Bradesco, quem exerceu integralmente o direito correspondente à sua posição evita a diluição.
Após as etapas de subscrição, os recibos das ações remanescentes foram vendidos integralmente em leilão na B3. O ágio apurado, diferença positiva em relação aos preços de emissão, somou aproximadamente R$ 3,3 milhões e será destinado à reserva de capital.
Quando as novas ações serão creditadas
A homologação pelo conselho valida o resultado da operação dentro do banco. Ainda falta a homologação pelo Banco Central para encerrar a etapa regulatória.
Com essa aprovação, as novas ações serão creditadas aos subscritores em até três dias úteis. O total de papéis da instituição passará para aproximadamente 11,197 bilhões.
A partir da homologação pelo Banco Central, as novas ações terão direito integral aos dividendos, juros sobre capital próprio e demais proventos declarados pela instituição.