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O que é um COE?

O COE, sigla para Certificado de Operação Estruturada, é um produto financeiro que mescla aplicações e características de renda fixa e de renda variável em um só negócio.

O COE é uma versão brasileira das chamadas notas estruturadas, muito comuns nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, e são certificados não cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O Certificado de Operação Estruturada reúne diversas características e possibilidades em um mesmo papel, permitindo que se invista com boas chances de ganho e baixo risco de prejuízos.

Esse produto possui um propósito semelhante aos dos tipos CDBLCI e LCA. Isso significa dizer que ele é utilizado para captar dinheiro de investidores para os bancos e, portanto, trata-se de dinheiro que está sendo emprestado.

Vale dizer, ainda, que o COE é um produto que tanto pode atender aos investidores mais conservadores quanto investidores experientes. Isso é possível por causa da sua versatilidade.

Como funciona o COE?

Conforme citado anteriormente, os COEs funcionam como títulos de investimento inspirados nas notas estruturadas.

Investir em um COE, portanto, significa dizer que você comprou um título emitido por bancos, que aplica grande parte do seu capital em um título de renda fixa e uma pequena parcela em um investimento de renda variável.

Essa menor parte – aplicada em renda variável – pode se traduzir em alguns ativos como os seguintes:

  • ações;
  • taxas de juros;
  • índices da Bovespa;
  • índices de Bolsas americanas;
  • moedas como dólar e euro.

Outro fator importante é que, assim como a perda desse tipo de investimento é limitada, os ganhos do investimento também são.

Isto significa dizer que, já no momento em que se investe, é possível se ter uma ideia de qual será o rendimento em algum tempo específico.

Vale citar, ainda, que de acordo com a regulação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), todos os COEs precisam ser registrados junto à B3.

Tipos de COE

O Certificado de Operações Estruturadas ocorre em duas modalidades:

  • Valor Nominal Protegido;
  • Valor nominal em Risco.

Valor Nominal Protegido

O COE de Valor Nominal Protegido garante que o investidor receberá de volta no mínimo o valor que investiu inicialmente, ainda que os ativos de referência do produto tenham um desempenho negativo.

Existem dois riscos principais nos COEs de valor nominal protegido. O primeiro trata-se de oportunidade. Garantia de retorno não quer dizer que não está se deixando de ganhar algo. Ficar no zero a zero, por exemplo, não é tão bom quanto ter alguma rentabilidade, ainda que pequena.

O segundo risco, ainda, é ganhar menos do que seria possível. Em troca do conforto da proteção, alguns COEs limitam o ganho dos investidores a um determinado nível.

Dessa forma, mesmo que o ativo de referência avance 40% ou 50% no período, o certificado talvez repasse apenas 20% ou 25% para quem aplicou.

Valor Nominal em Risco

Já o COE de Valor Nominal em Risco não apresenta nenhuma garantia. Nesse caso, o investidor pode perder até o limite do capital que foi inicialmente investido.

Rentabilidade do COE

Como podem adotar estratégias bastante variadas, a rentabilidade de um COE vai depender muito do tipo de aplicação feita em cada produto.

Isso significa dizer, por exemplo, que um COE de ações poderá ter um desempenho muito diferente de um COE focado em ativos de renda fixa ou em moedas.

Além disso, os bancos podem criar uma série de estratégias para os COEs, e os cenários de rentabilidade serão baseados no desempenho desses indexadores durante o período de vigência do certificado.

Entre os ativos de referência estão, por exemplo:

  • juros;
  • moedas;
  • ouro;
  • commodities;
  • índices de inflação;
  • ações e índices de ações nacionais;
  • ações e índices de ações internacionais.

Imposto de Renda, custos e taxas

O Imposto de Renda incide sobre os rendimentos dos COEs, da mesma forma regressiva aplicada à renda fixa. Dessa forma, as alíquotas variam de 22,5% a 15%, de acordo com o prazo da aplicação.

Se o investimento for mantido por menos de seis meses, o IR incidirá pela alíquota mais alta (22,5%). A alíquota mais baixa só é aplicada se o investimento for mantido por dois anos ou mais.

Embora possa ter ações como ativo, os COEs não apresentam vantagens fiscais que se aplicam à renda variável. Por essa razão, as perdas em operações com os certificados não podem servir para compensar os ganhos em operações com ações.

Além disso, de acordo com a corretora, a negociação pode envolver taxas, já que algumas das empresas cobram taxa de corretagem. Essa taxa existe para comprar e vender ações na Bolsa.

Já outras estabelecem um valor de custódia, que é uma espécie de “aluguel” pago pelo investidor pela guarda dos recursos e investimentos.

Riscos do COE

São três os principais riscos envolvidos no investimento em COEs:

  • o risco de crédito do emissor;
  • o custo de oportunidade;
  • e o risco de liquidez.

Risco de crédito do emissor

O investidor pode se sujeitar ao risco de crédito do banco emissor e, caso a instituição sofra com alguma crise, isso vai impactar sobre os COEs também.

Custo de oportunidade

Para ter a garantia de receber o investimento inicial de volta, o investidor abdica da rentabilidade de outra aplicação. Isso faz com que seja possível, em um COE, não ganhar nem perder nada.

Risco de liquidez

Os COEs têm uma data de vencimento fixa e, no geral, ela não ocorre no curto prazo. Os certificados costumam ser emitidos com prazos de 2 até 5 anos, o que reduz a liquidez dos ativos.

Vantagens e desvantagens do COE

Como ponto positivo, o COE tem a flexibilidade, já que os ativos de referências são variados. Sendo assim, os investidores podem ter acesso à rentabilidade daqueles mais sofisticados.

Cada uma dessas opções atende a perfis distintos e, portanto, as pessoas podem escolher os que mais combinam com seus próprios objetivos financeiros.

Além disso, a garantia de receber de volta o investimento inicial, prevista em muitos COEs, dá segurança para os investidores mais conservadores e pouco acostumados com a renda variável.

Outra entre as vantagens do COE é o fato de todas as aplicações poderem ser acompanhadas juntas, em conjunto, e não uma a uma. Isso facilita o trabalho do investidor até na hora do Imposto de Renda: uma só alíquota e forma de cálculo são aplicadas ao conjunto inteiro.

Por outro lado, entre as desvantagens do COE podemos destacar o fato de não existir garantia do FGC para esse tipo de investimento, por exemplo.

Além disso, não há espaço para a liquidez diária, e se o investidor decidir resgatar o valor antes da data de vencimento, há risco de deságio.

Junto a isso, no COE há o problema de que o resgate do valor total do investimento só é autorizado na data de vencimento do título, sem contar, ainda, as taxas.

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