O fundo com mais de 174 mil cotistas e patrimônio líquido acima de R$ 1 bilhão consolidou-se como o maior FI-Agro da B3. Em meio à volatilidade provocada pelas notícias envolvendo a Cooperativa Languiru, o VGIA11 reforça os pilares que o destacam no setor: gestão ativa, carteira diversificada e histórico regular de pagamento de dividendos.
A reação do mercado ao atraso no pagamento de juros de um CRA emitido pela Cooperativa Languiru foi considerada desproporcional pela gestão. Em uma semana, as cotas registraram queda de aproximadamente 17%, movimento classificado pelo gestor Guilherme Grahl como “totalmente irracional”.
Segundo a administradora, o evento foi pontual: a Languiru deixou de pagar uma parcela de juros de aproximadamente R$ 500 mil, equivalente a 0,05% do patrimônio do fundo. A exposição total à cooperativa é de cerca de 12,3% do patrimônio, percentual relevante, mas que, de acordo com a gestora, não compromete a solidez da estrutura.
Reação do mercado ao caso Languiru
O episódio concentrou atenções sobre o risco de crédito do emissor e o funcionamento das garantias. Apesar do recuo de aproximadamente 17% nas cotas, a gestora reforçou que houve avanço nas negociações e que a estrutura da operação foi desenhada para mitigar inadimplências temporárias. Grahl afirma que a resposta dos preços não refletiu os fundamentos nem o nível de proteção vigente.
A comunicação ao mercado destacou que a cooperativa já passou por reestruturação há dois anos e que a condição atual é “10 vezes mais confortável do que há dois anos atrás”. A administração sustenta que, nesse contexto, o impacto econômico direto do atraso é limitado frente ao patrimônio e à diversificação do portfólio.
Garantias que amparam a operação
As informações públicas sobre o caso frequentemente omitiram o conjunto de garantias atribuídas ao lastro. Na operação com a Languiru, há:
- Garantias reais que superam 100% da posição do Fiagro
- Alienação fiduciária de máquinas e equipamentos
- Hipoteca do frigorífico da cooperativa, que opera em três turnos e está habilitado para exportar à China
- Cessão fiduciária de recebíveis
- Penhor agrícola de grãos e avais
“A gente tem o respaldo jurídico de garantia real e líquida que cobre a posição”, afirmou Grahl em entrevista. Para o gestor, a estrutura jurídica e o colateral disponível conferem margem para a resolução do evento de crédito sem deterioração estrutural do fundo.
VGIA11 mantém distribuição de dividendos
A consistência na distribuição de proventos segue como um diferencial. O fundo nunca ficou um mês sem pagar dividendos desde a estreia. No acumulado de cinco anos, entregou 150% do CDI aos cotistas, com pagamentos constantes e sem oscilações relevantes.
Mesmo após o episódio envolvendo a Languiru, a administração confirmou o pagamento de R$ 0,13 por cota referente a junho de 2026. A manutenção da política de distribuição foi sustentada por reservas e pelo fluxo das demais operações da carteira.
Diversificação de carteira e reservas
O portfólio não depende de um único ativo ou devedor. Ao todo, são 42 operações, distribuídas entre cooperativas (33,5%), distribuidoras de insumos (30,7%), produtores (30,6%) e indústria (5,1%). Essa alocação dilui riscos idiossincráticos e favorece a previsibilidade de caixa.
Além disso, o fundo mantém posição de caixa equivalente a 14,8% do patrimônio, o que dá flexibilidade para atravessar períodos de estresse. Há também reserva de rendimentos de R$ 13,2 milhões, atrelada à reavaliação de crédito dos CRAs da Languiru na carteira, reforçando o colchão de liquidez.
Reconhecimento em premiações
A estratégia foi reconhecida pelo mercado. O fundo foi eleito por duas vezes consecutivas o Melhor FI-Agro na Premiação Outliers InfoMoney, chancelando a abordagem da Valora Investimentos. Na edição anunciada em fevereiro, ficou em primeiro lugar no segmento, seguido por RZAG11 e SNAG11.
A recorrência nos prêmios indica aderência do desempenho ao mandato proposto e ao perfil de risco da classe, segundo a divulgação da premiação. Para a gestora, os resultados refletem o enfoque em gestão ativa e na seleção de crédito com garantias robustas.
Desconto nas cotas e posição da gestora
A recente queda criou um desconto de aproximadamente 17% em relação ao valor patrimonial. No mercado, a leitura predominante foi de estresse pontual, e parte dos participantes passou a enxergar o momento como oportunidade, não motivo de pânico.
A gestora reiterou a visão em comunicado: “Até o momento, não entendemos que este evento trará impacto no fundo considerando as garantias e o avanço estratégico/jurídico que já ocorreram durante a renegociação”. Com mais de 174 mil cotistas, o fundo sustenta que permanece entre os maiores da categoria e preparado para ciclos de maior volatilidade.