O IRB (IRBR3) apurou lucro líquido de R$ 58,8 milhões em abril, alta de 177% frente ao mesmo mês do ano passado, conforme relatório do BTG Pactual. Embora o dado represente queda de 19% em relação a março, o banco avaliou que os números vieram acima do previsto e indicam possível melhora operacional da resseguradora.
O BTG manteve recomendação de compra para as ações do IRB e fixou preço-alvo de R$ 67 em 12 meses. Com base no preço de R$ 53,01 considerado no relatório, o potencial de valorização estimado é de 26,4%.
H2: BTG vê sinais positivos no IRB em abril
O banco pondera que ainda é cedo para conclusões definitivas a partir de um único mês, mas classificou a leitura de abril como favorável. Ao anualizar o resultado do período para o segundo trimestre, o BTG projeta lucro líquido de R$ 176 milhões no 2T26, desempenho 74% acima do trimestre anterior e 23% superior na base anual.
Esse patamar ficaria cerca de 26% acima das estimativas do próprio BTG e do consenso de mercado, em especial por conta de uma sinistralidade mais benigna no período. Os dados mensais indicam que a dinâmica de custos melhorou em relação ao ano anterior, apesar de alguma volatilidade frente a março.
Nos prêmios, o IRB reportou R$ 411 milhões em abril, alta de 40% na comparação com março e recuo de 8% ano a ano. Os prêmios retidos avançaram 15% na base mensal e recuaram 9% em relação a abril de 2025. Já os prêmios ganhos diminuíram 6% no mês e 15% na comparação anual, refletindo a composição do portfólio e a cadência de reconhecimento.
O custo de sinistros aumentou 39% ante março, mas permaneceu 42% abaixo do observado um ano antes. Com isso, o índice de sinistralidade fechou abril em 51,2%, acima dos 34,8% do mês anterior, porém abaixo dos 75,5% de abril de 2025 e dos 58% registrados no primeiro trimestre.
O índice combinado atingiu 91,6% em abril, ante 77,2% em março e 108,8% em abril do ano passado. Apesar do movimento mensal, o indicador continuou inferior aos 98,1% informados no 1T26, sugerindo manutenção de disciplina técnica no agregado do período.
H2: IRB e juros: impacto nos números
O BTG também reforçou a sensibilidade do IRB ao nível de juros. Como a receita financeira tem peso relevante no resultado, um cenário de taxas elevadas por mais tempo tende a sustentar os números no curto prazo, segundo o relatório.
No mercado acionário, os papéis do IRB acumulam alta de 4% no ano, abaixo do desempenho de pares listados como Porto, BB Seguridade e Caixa Seguridade. Para o BTG, parte dessa diferença se explica pela preferência por nomes considerados mais defensivos, mas o quadro pode abrir espaço para reprecificação se a companhia avançar na execução operacional e estratégica.
Entre as frentes de médio prazo citadas pelo banco estão a expansão em seguro primário, o aumento da capacidade internacional e o aprofundamento do relacionamento com clientes. “Continuamos gostando da tese de investimento do IRB e vemos 2026 como um ano de transição, com a companhia plantando as sementes para um crescimento mais forte à frente”, afirma o BTG.