A MBRF (MBRF3), por meio da BRF S.A., concluiu uma captação de R$ 825 milhões no mercado de capitais. As debêntures da MBRF foram emitidas em quatro séries, cada uma com forma de remuneração e prazos distintos, que vão de 2031 a 2056.
A liquidação ocorreu em 25 de setembro e envolveu a emissão de 825 mil debêntures, com valor nominal de R$ 1 mil por título. Os papéis são simples, sem possibilidade de conversão em ações, e da espécie quirografária, sem a vinculação de garantias específicas da companhia.
Na prática, uma debênture representa um empréstimo tomado pela empresa com os investidores, mediante pagamento de uma remuneração definida na oferta. Nesta operação, porém, os títulos não foram ofertados diretamente ao público.
As debêntures foram adquiridas pela ECO Securitizadora e utilizadas como lastro para a emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Esses CRAs foram distribuídos publicamente a investidores qualificados, conforme as regras aplicáveis.
Como funcionam as debêntures da MBRF?
A primeira série totalizou 316.522 debêntures, equivalentes a R$ 316,5 milhões. O vencimento está previsto para 14 de março de 2031, com remuneração de 101,50% da taxa DI, indicador que tende a acompanhar de perto o CDI.
A segunda série somou 309.320 títulos, aproximadamente R$ 309,3 milhões, com vencimento em 14 de setembro de 2033. Nessa tranche, a remuneração é prefixada em 14,80% ao ano, determinada no momento da emissão.
A terceira série reuniu 17.776 debêntures, somando quase R$ 17,8 milhões. Os papéis vencem em 12 de setembro de 2036 e contam com atualização monetária pelo IPCA, além de juros de 8,40% ao ano, pagos conforme as condições da escritura.
Por fim, a quarta série atingiu 181.382 títulos, cerca de R$ 181,4 milhões, com o prazo mais longo da operação. O vencimento ocorrerá em 14 de setembro de 2056, e a remuneração combina a variação do IPCA com juros de 8,70% ao ano.
Nas séries atreladas ao IPCA, o principal é corrigido pela inflação do período. Nas vinculadas à taxa DI, a remuneração varia conforme os juros do mercado. Já na série prefixada, a taxa foi fixada na emissão, sem oscilação posterior.
Para que a MBRF usará os R$ 825 milhões?
De acordo com os documentos da oferta, os recursos serão aplicados integralmente nas atividades da BRF como produtora rural e empresa do agronegócio. A destinação contempla iniciativas diretamente ligadas à cadeia produtiva.
Entre as aplicações previstas, estão a manutenção de fazendas próprias, a compra de animais, material genético e ovos, além das etapas de criação, engorda e abate. Também entram no escopo gastos com ração, grãos, soja, milho e medicamentos veterinários.
Constam ainda despesas com instalações e demais insumos empregados na produção. Essa alocação atende aos requisitos da estrutura, uma vez que as debêntures servem de lastro para CRAs e, para tal, os recursos precisam estar associados ao agronegócio.
O que muda no endividamento da companhia?
A emissão adiciona R$ 825 milhões à dívida financeira bruta da companhia e, simultaneamente, eleva o caixa no mesmo montante antes da utilização dos recursos. Assim, isoladamente, a operação não implica aumento imediato da dívida líquida na mesma magnitude.
O resultado final dependerá da aplicação do dinheiro e de eventuais trocas de passivos anteriores. Segundo a empresa, a captação integra a estratégia de alongar o perfil de endividamento em moeda local, buscando otimizar prazos e custos.
Com vencimentos distribuídos entre 2031 e 2056, a companhia reduz a concentração de pagamentos no curto prazo. Em contrapartida, arcará com despesas financeiras ao longo de vários anos, em condições sujeitas ao comportamento da taxa DI e da inflação nas séries pós-fixadas.
Para quem acompanha as ações da MBRF, as debêntures mostram a forma como a companhia pretende sustentar suas operações e espaçar compromissos financeiros em horizontes mais longos. Pontos de monitoramento incluem o uso efetivo dos recursos, o custo total da dívida e a evolução da alavancagem.