A Braskem (BRKM5) avalia acionar o Judiciário brasileiro para obter proteção contra credores, conforme apuração da Bloomberg divulgada nesta semana. Em análise estão desde medidas cautelares, que oferecem blindagem temporária, até um possível pedido de recuperação judicial. O debate ganhou força após a companhia dobrar o prejuízo no quarto trimestre de 2025, intensificando preocupações sobre liquidez e estrutura de capital.
As tratativas ainda são preliminares e não há decisão final. Uma medida cautelar poderia suspender execuções e cobranças por um período determinado, criando espaço para renegociação de dívidas e preservação de caixa. Em um cenário mais adverso, a recuperação judicial surge como alternativa para reorganizar passivos de forma abrangente, com cláusulas e prazos supervisionados pelo Judiciário. A empresa, contudo, sinaliza que avalia todas as opções disponíveis.
A indefinição sobre a mudança de controle adiciona incerteza ao processo. O fundo IG4 Capital aguarda aprovação antitruste europeia para adquirir a fatia da Novonor, etapa considerada decisiva para destravar um novo ciclo de governança e capitalização. Segundo fontes, a operação dificilmente será concluída antes de maio, o que prolonga a pressão sobre risco de crédito e percepção do mercado.
Resultados fracos no 4T25 pressionaram o humor dos investidores. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 10,284 bilhões, alta de 82% frente ao mesmo período de 2024. O Ebitda recorrente somou R$ 598 milhões, avanço de 6%, refletindo algum ganho operacional. Em contrapartida, a receita líquida recuou 7%, para R$ 16,101 bilhões, espelhando margens comprimidas e ambiente competitivo mais duro.
Após a divulgação do balanço, as ações caíram, com analistas destacando a combinação de alavancagem elevada e incerteza societária como vetores de volatilidade. A leitura predominante é que o desfecho sobre a proteção judicial e a aprovação regulatória do novo controlador serão determinantes para reprecificação do ativo e acesso a financiamentos.
Em síntese, a Braskem monitora instrumentos legais para preservar caixa e negociar dívidas, enquanto aguarda definição sobre o controle. A resolução desses dois eixos — estrutura de capital e governança — tende a orientar o próximo capítulo da tese de investimento.