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Bradesco (BBDC4) cai após balanço com guidance conservador para 2026

Bradesco (BBDC4) cai após balanço com guidance conservador para 2026
Bradesco (BBDC4). Foto: Divulgação/Bradesco

O Bradesco (BBDC4) caiu 4,02% na primeira sessão após o balanço do 4T25, negociando a R$ 20,30 por volta das 12h30 da última terça-feira (6). A reação negativa ocorreu apesar de números operacionais sólidos, segundo analistas, refletindo principalmente um guidance mais cauteloso para 2026 e realização de lucros após a recente alta das ações.

O banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões no trimestre, alta de 20,6% sobre o 4T24, com ROE anualizado de 15,2% e carteira de crédito expandida de R$ 1,089 trilhão, aumento de 11% em 12 meses. Esses indicadores reforçam a tese de recuperação gradual da rentabilidade do Bradesco, sustentada por expansão da margem com clientes, melhora da eficiência e inadimplência estabilizada.

Analistas do Itaú BBA avaliaram que o desempenho ficou levemente acima das projeções, beneficiado pelo avanço da carteira, pela margem com clientes e pela estabilidade do custo de crédito. Destacaram, ainda, execução consistente em 2025, com lucros cerca de 10% acima das estimativas iniciais, sinalizando maturação do ciclo de reestruturação iniciado em 2024. O BB Investimentos corroborou a visão, ressaltando crescimento seletivo, qualidade do ativo controlada e contribuição de seguros.

Ambas as casas mantiveram recomendação positiva e preço-alvo em R$ 22, sugerindo potencial de alta no médio prazo. Como palavras de cautela, citam a necessidade de continuidade na disciplina de risco, controle de despesas e evolução adicional na rentabilidade para sustentar múltiplos mais altos. Entre as prioridades, estão a eficiência operacional e a captura de sinergias nos negócios de seguros e serviços.

Por que, então, as ações recuam? O guidance conservador pesou. O Bradesco projeta lucro entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões em 2026, com ROE de 14% a 17%. O ponto médio, próximo a R$ 27 bilhões, ficou cerca de 4% abaixo do consenso. Além disso, o banco sinalizou desaceleração do crédito, com crescimento de 8,5% a 10,5% em 2026, ante 11% em 2025, e continuidade dos investimentos em transformação, pressionando despesas.

Após a forte valorização recente, com o papel negociando a 1,3 vez o valor patrimonial, a combinação de múltiplos exigentes e guidance mais moderado desencadeou a correção. Ainda assim, a trajetória operacional do Bradesco permanece favorável, desde que a execução sustente o ganho de rentabilidade e a qualidade de crédito siga controlada.

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