O BBAS3 ficou sob análise cautelosa da XP Investimentos após o balanço do 1º trimestre de 2026, divulgado na quarta-feira (13). A casa manteve recomendação neutra, avaliando os números como “fracos, embora em linha” com o esperado, refletindo o impacto da deterioração do ambiente de crédito. Apesar de uma margem financeira acima do consenso, o avanço da inadimplência em diversos segmentos e a revisão de guidance reforçam prudência para o curto prazo.
A XP apontou que a piora no risco de crédito extrapolou o agronegócio e passou a afetar de forma mais ampla a carteira. No varejo, os sinais são mais sensíveis: houve alta dos atrasos iniciais em consignado privado e em linhas sem garantias, sugerindo pressão adicional nas provisões ao longo do ano. Com isso, a percepção de risco subiu e a visibilidade para resultados ficou mais limitada, sustentando a postura neutra com o BBAS3.
Entre os pontos positivos, a margem financeira bruta alcançou R$ 27,4 bilhões, superando em 4% as estimativas da XP. O desempenho foi puxado por receitas de crédito em Pessoa Física e por resultados de tesouraria, favorecendo a dinâmica do NII. Em resposta, o banco elevou o guidance de crescimento da margem para 2026, sinalizando resiliência operacional mesmo em um ciclo de crédito mais desafiador. A XP, porém, pondera que a qualidade de ativos deve prevalecer no balanço de riscos.
Projeções atualizadas mostram maior conservadorismo no custo de crédito. O banco passou a estimar R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões em 2026, ante R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões anteriormente. Em contrapartida, o guidance de lucro líquido ajustado foi reduzido para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões, refletindo maiores despesas com provisões e menor alavancagem operacional. A casa vê esses ajustes como adequados ao novo cenário.
No trimestre, o lucro líquido ajustado foi de R$ 3,4 bilhões, queda de 53,5% em relação ao ano anterior e de 40,2% na comparação trimestral. O ROE recuou para 7,3%, ante 12,4% no 4T25 e 16,7% no 1T25, evidenciando compressão de rentabilidade com o avanço do custo de risco. Para a XP, a normalização depende da estabilização dos indicadores de atraso nos próximos trimestres.
Em síntese, embora a margem financeira surpreenda positivamente e sustente parte do guidance, a piora na inadimplência e o aumento do custo de crédito mantêm o balanço de riscos desfavorável ao curto prazo para o BBAS3. A recomendação neutra reflete esse equilíbrio entre resiliência operacional e pressão sobre qualidade de ativos.