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BTG mantém compra e vê potencial de alta de 66% na Nubank

BTG mantém compra e vê potencial de alta de 66% na Nubank
Nubank. Foto: Divulgação

Nubank se prepara para divulgar os resultados do primeiro trimestre de 2026 em meio a maior cautela dos investidores quanto ao risco de crédito no sistema financeiro brasileiro. Apesar do clima defensivo após a correção recente nas ações do setor, o BTG Pactual mantém visão construtiva sobre a fintech, avaliando que os fundamentos seguem sólidos e o pessimismo está acima do necessário. Para o banco, a comunicação com o mercado será crucial nesta etapa.

A apreensão ganhou força após reações negativas a balanços de pares, sobretudo depois da forte queda do Inter. Investidores estrangeiros têm escrutinado o Nubank com mais rigor, em busca de sinais de deterioração da carteira. Analistas do BTG — Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale — reconhecem que a qualidade dos ativos virou o foco central, mas julgam o nível de prudência exagerado frente aos dados disponíveis.

Entre os pontos citados, chamou atenção a surpresa de investidores internacionais com o nível de detalhamento das análises nesta temporada, que buscam identificar indícios mínimos de piora em crédito. Até um podcast recente da NU sobre estratégia de crédito, uso de inteligência artificial e governança foi interpretado por parte do mercado como possível alerta indireto — uma leitura que o BTG considera precipitada.

Segundo o banco, o debate setorial tem sido pautado por mudanças de mix de carteira, e não por deterioração estrutural. Em outras palavras, a migração entre segmentos e produtos pode inflar provisões sem, necessariamente, indicar tendência de inadimplência fora do controle. Esse descompasso entre percepção e números abriria janela para surpresa positiva caso a fintech confirme resiliência.

Resultados esperados para o primeiro tri: o consenso de mais de 19 analistas projeta lucro líquido de US$ 918 milhões, alta anual de 65% e avanço trimestral de 3%, implicando ROE de 31%. A receita deve atingir US$ 4,94 bilhões, crescimento de 52% na comparação anual. Provisões para perdas com crédito devem subir 37% ano a ano, para US$ 1,33 bilhão.

No recorte trimestral, as provisões avançariam 7%, ritmo abaixo da expansão da carteira, levando o custo de risco de 15,8% para 15,7%. Se confirmado, o dado reforçaria a tese de estabilidade na qualidade de crédito, tema central para o próximo ciclo de resultados.

O BTG mantém recomendação de compra para NU, com preço‑alvo de US$ 22 em 12 meses (ante cotação de US$ 13,27), o que sugere potencial de alta de 65,8%. Para o banco, a fintech segue entre as principais teses de crescimento do setor financeiro, e a forma de endereçar dúvidas do mercado pode ser tão determinante quanto os números.

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