O Santander Brasil (SANB11) pode apresentar um desempenho mais fraco no primeiro trimestre de 2026, de acordo com relatório do BTG Pactual divulgado nesta segunda-feira (13). A projeção reflete compressão na margem com clientes, alta nas provisões e efeitos sazonais típicos do início do ano, fatores que tendem a pressionar os resultados.
Segundo o BTG, o lucro líquido deve ficar próximo de R$ 4 bilhões no período, cerca de 2% abaixo do consenso, com ROE estimado em 16,6%. A margem financeira com clientes (NII) deve recuar, impactada por menor volume de depósitos no começo do ano e por um ambiente ainda desafiador no crédito.
A instituição prevê que as provisões alcancem aproximadamente R$ 6,5 bilhões, em linha com um processo de normalização após níveis atipicamente baixos no fim de 2025. Há sinais de deterioração em algumas carteiras, em especial no segmento corporativo, o que justifica a postura mais conservadora.
A margem com mercado tende a se recuperar após o desempenho negativo do trimestre anterior, apoiada por condições mais favoráveis e pelo menor número de dias úteis. Esse componente deve mitigar parcialmente a pressão vinda do crédito.
O BTG destaca o controle rigoroso de despesas do banco, com avanço de custos abaixo da inflação. Medidas de eficiência, como redução de quadro, fechamento de agências e digitalização, seguem contribuindo para preservar a rentabilidade mesmo em um cenário de margens comprimidas.
Para 2026, o banco de investimento projeta crescimento moderado da carteira entre 5% e 6%, enquanto a margem com clientes deve avançar entre 3% e 4%. O lucro anual estimado é de R$ 17,4 bilhões, representando alta de 11% na comparação anual, caso o ambiente macro não piore de forma relevante.
Mesmo com desconto frente aos pares, o BTG mantém recomendação neutra para Santander Brasil (SANB11) e preço-alvo de R$ 35. Entre os riscos, estão um possível aumento adicional nas provisões, pressão nas margens em cenário de juros elevados, normalização tributária e efeitos dos ativos fiscais diferidos sobre o capital regulatório.