O Santander Brasil (SANB11) reportou lucro líquido gerencial de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, abaixo do consenso de R$ 4,13 bilhões da LSEG. O resultado representa queda de 1,9% na comparação anual e retração de 7,3% frente ao quarto trimestre de 2025, refletindo um ambiente de juros ainda elevados e desempenho mais fraco nas operações de mercado. A leitura do mercado é de frustração, com foco nas margens e na dinâmica da carteira.
A principal explicação para o desempenho aquém do esperado foi a pressão sobre as margens do Santander. A margem com clientes somou R$ 16,6 bilhões, enquanto a margem com mercado ficou negativa em R$ 800 milhões, anulando parte dos avanços operacionais. Mesmo com ganho trimestral de 3,1% na margem financeira consolidada, a base anual recuou 0,7%, sinalizando sensibilidade aos juros e menor contribuição de tesouraria.
As receitas totais cresceram 0,8% no trimestre e 0,9% em 12 meses, mostrando expansão limitada. A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 706 bilhões em março, avanço de 3,4% no ano, mas leve queda de 0,4% no trimestre. No passivo, as captações somaram R$ 664 bilhões, sustentando a liquidez. O ROAE permaneceu em 16,0%, mesmo com custo de crédito de 3,73%, o que denota resiliência da rentabilidade.
Desempenho operacional e impacto das margens do Santander Brasil
A eficiência operacional avançou, com índice de 37,7%, melhora de 1,5 p.p. ante o 1T25, ajudando a compensar parte da pressão nas linhas financeiras. Ainda assim, a combinação de margem de mercado negativa e receitas pouco dinâmicas limitou a alavancagem operacional. A sensibilidade positiva aos juros ajudou no trimestre, mas não foi suficiente para reverter a queda anual da margem consolidada.
Entre as linhas de negócio, a expansão da carteira em 12 meses contrasta com a contração no trimestre, sugerindo ajustes de risco e seletividade na originação. A disciplina de custos, refletida no melhor índice de eficiência, sustenta o resultado operacional, mas a normalização das margens de mercado será chave para recompor o spread.
Para os próximos trimestres, a trajetória das taxas de juros e a recuperação da Santander Brasil em tesouraria tendem a ditar o ritmo do lucro. Se a margem com mercado estabilizar e as receitas retomarem fôlego, há espaço para convergência aos níveis projetados pelos analistas. Por ora, a leitura é de cautela, com foco na recomposição de spreads e na qualidade do crédito.