O IPCA avançou 0,67% em abril, abaixo dos 0,88% de março, segundo o IBGE. Em 12 meses, a inflação passou de 4,14% para 4,39%, ainda acima do teto da meta de 4,5%. O resultado reforça a percepção de desinflação gradual, mas com pressões disseminadas em itens sensíveis ao consumo das famílias e a choques sazonais.
No acumulado do ano, o índice soma alta de 2,60%. A meta de inflação do CMN é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o resultado de 12 meses segue distante do centro da meta e demanda cautela na condução da política monetária.
O mercado também ajustou expectativas. Segundo o Boletim Focus, a mediana para o IPCA de 2026 subiu de 4,89% para 4,91%, nona revisão semanal consecutiva. Esse movimento sinaliza maior inércia inflacionária adiante e pode limitar apostas em cortes mais agressivos da taxa Selic pelos formuladores de política.
Alimentação e bebidas foi o principal vetor de pressão, com alta de 1,34% e impacto de 0,29 ponto no índice. A alimentação no domicílio acelerou a 1,64%, influenciada por cenoura (26,63%), leite longa vida (13,66%), cebola (11,76%), tomate (6,13%) e carnes (1,59%). Em sentido oposto, café moído (-2,30%) e frango em pedaços (-2,14%) recuaram, amenizando parte da alta no carrinho do supermercado.
Saúde e cuidados pessoais subiu 1,16%, refletindo o reajuste de até 3,81% nos medicamentos a partir de 1º de abril. O aumento do tíquete médio em produtos farmacêuticos tende a prolongar efeitos ao longo do trimestre, com impacto relevante no orçamento das famílias.
Transportes perderam fôlego, de 1,64% para 0,06%, com passagens aéreas em queda de 14,45%. Ainda assim, combustíveis mostraram comportamento misto: gasolina avançou 1,86%, óleo diesel 4,46% e etanol 0,62%, evitando uma desaceleração mais intensa do grupo.
Em síntese, o IPCA desacelerou, mas segue pressionado por alimentos e ajustes regulados, enquanto expectativas para 2026 pioram. A leitura reforça um cenário de cautela para a trajetória de juros e para a convergência da inflação à meta.