A agenda semanal volta a concentrar atenções com petróleo em alta, inflação resistente e tensões geopolíticas, em meio à reta final da temporada de balanços no Brasil. O recrudescimento do conflito no Oriente Médio reacende o choque energético e amplia a incerteza sobre os próximos passos da política monetária. No front doméstico e externo, indicadores de preços tendem a ditar humor e direção dos mercados.
No Brasil, o Boletim Focus desta segunda-feira (11) já trouxe sinal de alerta ao mostrar nova alta nas expectativas para o IPCA de 2026, agora em 4,89%, acima do teto da meta. O dado reforça a percepção de desancoragem parcial e mantém a agenda de inflação no centro do debate entre gestores e analistas.
O destaque será a divulgação do IPCA de abril, na terça-feira (12). O mercado medirá se a recente valorização do petróleo e dos combustíveis começou a contaminar a inflação subjacente. A leitura influenciará a precificação da Selic e pode redefinir apostas para o ciclo de cortes. Indicadores complementares, como fluxo cambial, vendas no varejo e serviços, podem calibrar o balanço de riscos.
Nos Estados Unidos, o CPI de abril, também na terça-feira (12), ganhou tração após o payroll mais forte reduzir a probabilidade de cortes rápidos de juros pelo Federal Reserve. A avaliação de núcleos e difusão será crucial para entender a persistência inflacionária. Segundo Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora: “A combinação entre petróleo elevado, inflação resiliente e juros altos prolonga o ambiente de cautela global.”
A temporada de balanços do 1T26 entra em fase intensa. A Petrobras (PETR4) abre a semana na segunda-feira (11), seguida por Banco do Brasil (BBAS3) e Nubank (ROXO34) na terça (12). Na quarta (13), saem CSN (CSNA3), Cosan (CSAN3) e Eletrobras (ELET3). Já JBS (JBSS3) e BRF (BRFS3) encerram a sequência na quinta (14), ajudando a mapear margens, alavancagem e guidance para o ano.
Com petróleo pressionado, inflação ainda resistente e resultados corporativos em foco, a agenda de dados tende a elevar a volatilidade e exigir seletividade. Investidores acompanham de perto surpresas no IPCA e no CPI, além de sinais prospectivos nas teleconferências de resultados. Em um cenário de prêmio de risco mais alto, gestão ativa e proteção ganham relevância.