A Braskem (BRKM5) avançou na Bolsa ontem (11) após o Shine I Fundo de Investimento em Participações (FIP) protocolar pedido de registro de oferta pública de aquisição (OPA) junto à CVM e à B3. A operação ainda depende de aprovações regulatórias e prevê pagamento por meio de debêntures emitidas pela NSP Investimentos, em vez de dinheiro, o que muda a dinâmica de avaliação para o investidor.
O impulso reflete a recente mudança de controle da companhia, com o grupo IG4 passando a deter 50,1% dos votos por meio do Shine I FIP, enquanto a Petrobras manteve 47% do capital votante.
O fundo solicitou registro para adquirir a totalidade das ações ordinárias e preferenciais, replicando as condições pagas à NSP na transação de controle: duas debêntures da 1ª série da 2ª emissão e uma debênture da 2ª série da 2ª emissão. O uso de títulos de dívida, e não de caixa, alinha os termos da OPA ao acordo-base e exige análise detida do investidor sobre valor presente e risco.
O valor econômico da proposta dependerá de fatores como risco de crédito, prazo, liquidez secundária e condições de pagamento das debêntures. Esses papéis não possuem registro nos Estados Unidos e não podem ser negociados no mercado americano, o que restringe a base potencial de investidores e pode afetar a precificação.
O lançamento efetivo da oferta está condicionado às autorizações da CVM e da B3. A minuta do edital será disponibilizada nos sites dos reguladores, com detalhes sobre cronograma, prazos de adesão e termos financeiros a serem apresentados pelo Shine I FIP oportunamente.
O Citi cortou o preço-alvo de R$ 14 para R$ 11,50 até 2026, mantendo recomendação neutra/alto risco. Para o banco, a negociação com credores e um plano de reestruturação, possivelmente com carência de pagamentos até 2027, podem destravar valor aos acionistas da BRKM5 dentro do contexto da OPA.