O BTG Pactual revisou para cima sua avaliação sobre a Vale (VALE3) após um período de desvalorização das ações. O banco elevou o preço-alvo dos ADRs de US$ 15 para US$ 18 e manteve a recomendação de compra, argumentando que o mercado subestimou a capacidade de execução da companhia e o crescimento potencial na frente de cobre. A leitura do BTG sugere que o momento abre espaço para reprecificação, em linha com fundamentos mais robustos.
No centro da tese, o BTG aponta o cobre como vetor-chave de valorização. O relatório revisa a produção de longo prazo de 380 mil para aproximadamente 500 mil toneladas anuais, refletindo avanço em projetos e maior confiabilidade operacional. Ao considerar entregas graduais, o banco vê um ciclo de crescimento mais previsível nessa vertical.
Entre os projetos destacados estão Alemão, Salobo e Bacaba, que ganharam relevância na avaliação do banco. Essas iniciativas, segundo o BTG, podem adicionar cerca de 10% ao valor de mercado da mineradora, caso os marcos operacionais sejam cumpridos. O banco também vê a abertura de capital da divisão de metais básicos (VBM) como uma alternativa estratégica para cristalizar valor.
Preços do minério de ferro próximos a US$ 100 por tonelada seguem como premissa central, apoiados na demanda chinesa e em impactos inflacionários relacionados a frete e petróleo. Para o BTG, o mercado superestimou o efeito de pressões de custo recentes, atribuindo a elas uma natureza estrutural que não se sustenta.
De fato, a elevação de custos foi puxada majoritariamente por variáveis externas — petróleo, câmbio e frete — e não por fragilidades operacionais persistentes. Esse diagnóstico reforça a visão de que as margens podem se estabilizar à medida que tais vetores se normalizem.
A geração de caixa continua sólida e dá suporte a retornos ao acionista mais generosos. Com a estratégia de reduzir a dívida líquida para próximo de US$ 15 bilhões, a Vale abre espaço para acelerar recompras e distribuições extraordinárias. Mesmo após alta de 20% no ano, a ação negocia a 4,4 vezes EV/Ebitda e oferece dividend yield estimado de 9%, sustentando a atratividade do case.