O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (27) o Boletim Focus com novas revisões para as principais variáveis da economia brasileira. As expectativas para a inflação de 2026 voltaram a subir, enquanto a taxa Selic projetada para o mesmo ano foi mantida em 13,0% ao ano. As estimativas chegam na véspera da reunião do Copom, marcada para quarta-feira (29), e reforçam o cenário de cautela nos mercados.
As projeções do IPCA para 2026 avançaram de 4,80% para 4,86%, registrando a sétima alta semanal consecutiva. O índice segue acima do teto da meta contínua de 3% com margem de 1,5 ponto percentual. Nas medições dos últimos cinco dias úteis, a expectativa também subiu, de 4,85% para 4,89%, indicando deterioração recente do quadro inflacionário.
Para 2027, a inflação esperada passou ligeiramente de 3,99% para 4,00%, acumulando cinco semanas de alta. Já os anos seguintes mostram maior estabilidade: 3,61% em 2028 e 3,50% em 2029. Esses números sugerem uma convergência gradual, mas ainda acima do centro da meta.
A taxa Selic projetada para 2026 permaneceu em 13,0%, repetindo a leitura anterior e bem acima dos 12,50% observados um mês atrás. Para 2027, a estimativa ficou em 11,0%, recuando para 10,0% em 2028 e 9,75% em 2029. Esse perfil indica uma trajetória de afrouxamento mais lenta do que a esperada anteriormente.
O câmbio para 2026 recuou de R$ 5,30 para R$ 5,25, movimento que pode atenuar pressões de preços importados no curto prazo. Ainda assim, a ancoragem inflacionária depende do balanço entre atividade, expectativas e política monetária. O Produto Interno Bruto seguiu estável, com projeção de crescimento de 1,85% para 2026.
O conjunto das revisões do Focus sinaliza que a autoridade monetária deverá manter o tom vigilante na comunicação pós-reunião. Inflação persistente, com núcleos pressionados, contrasta com uma atividade que avança moderadamente e com um câmbio um pouco mais favorável. O Copom terá de ponderar esses vetores ao calibrar o guidance.
Em síntese, o quadro para 2026 combina inflação em alta pela sétima semana, Selic estável em patamar restritivo e crescimento moderado. A leitura reforça a importância da credibilidade das metas e da persistência da política monetária até que as expectativas retornem de forma sustentável ao redor do objetivo.