Economia

Selic pode voltar a 15%? Mercado vê cenário mais incerto para os juros

Selic pode voltar a 15%? Mercado vê cenário mais incerto para os juros
Imagem gerada por IA

Fed e Copom entram em semanas decisivas, com dúvidas crescentes sobre a continuidade dos cortes de juros diante de choques de oferta e inflação resiliente. Nos EUA, a criação de 172 mil vagas e desemprego em 4,3% reduzem o ímpeto por afrouxamento no Federal Reserve. No Brasil, a Selic caiu de 15% para 14,50% ao ano, mas petróleo, câmbio e expectativas teimam em pressionar o Banco Central.

As projeções para a Selic mudaram de forma relevante. O primeiro Focus de 2026 indicava 12,25% no fim do ano; agora, o mercado vê 13,50% em 2026, 11,50% em 2027 e 10% em 2028. Para Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, o novo regime global é moldado pela geopolítica, com impacto em petróleo, gás, fretes, seguros e custos industriais em meio às tensões entre EUA e Irã. Essa reprecificação de riscos limita o espaço de cortes.

No front externo, o Federal Reserve encara emprego forte e inflação persistente. Com o hiato do produto apertado, o comitê tende a preservar a credibilidade. Simioni avalia dois caminhos: se o choque inflacionário durar dois trimestres, o Fed pode seguir gradualismo; se ultrapassar três trimestres, não se descarta alta de 0,50 a 0,75 ponto. A leitura de serviços subjacentes e salários será determinante. A palavra de ordem é paciência.

No Brasil, o Copom iniciou o ciclo de flexibilização com dois cortes de 0,25 ponto. Agora, pondera manter, pausar ou até sinalizar reendurecimento, dada a piora das condições financeiras globais e o repasse cambial. Um choque curto permitiria estabilidade da taxa durante 2026, com tolerância a inflação entre 4,0% e 4,5% em 2026 e 3,5% a 4,0% em 2027. A comunicação precisa ancorar expectativas sem sufocar a atividade.

A hipótese adversa é de choque prolongado além de três trimestres. Nesse caso, o Banco Central poderia reverter o ciclo e levar a Selic de volta a 15%. O cenário incluiria IPCA entre 4,8% e 5,2% em 2026 e 4,0% a 4,4% em 2027, expectativas acima de 5,3% e câmbio depreciando cerca de 10%. Para investidores, a alocação favorece crédito de alta qualidade e duration curta, enquanto renda variável depende de estabilização das expectativas.

No curto prazo, a trajetória dependerá da inflação de serviços, das surpresas no emprego americano e da dinâmica do petróleo. Em síntese, Fed e Copom calibram o compasso entre combater a inflação e preservar o crescimento, sob o escrutínio de um mercado mais sensível à geopolítica e ao custo de capital global.

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