A Usiminas (USIM5) subiu mais de 3% nesta sexta-feira (17), contrariando a queda do Ibovespa. O rali foi impulsionado pelo Itaú BBA, que reafirmou recomendação outperform e elevou o preço-alvo para R$ 9 até dezembro de 2026. Para o banco, mudanças estruturais no setor de aço no Brasil ainda não foram totalmente refletidas nas cotações.
Segundo o BBA, as medidas antidumping remodelaram a dinâmica competitiva, reduzindo a pressão da China e sustentando um novo piso de preços domésticos. Esse reposicionamento tende a melhorar margens e previsibilidade, favorecendo players integrados como a Usiminas. Mesmo após uma alta de 41% desde o último relatório, os analistas veem potencial adicional de cerca de 29%.
Os próximos trimestres devem mostrar transição. No curto prazo, o 2º trimestre segue desafiador, com resultados estáveis diante do equilíbrio entre preços e custos de placas. Distribuidores anteciparam compras antes da vigência das tarifas, mas a tendência é de aceleração dos reajustes ao longo do semestre, à medida que estoques se normalizam e o ambiente competitivo se ajusta.
No cenário externo, compradores migraram do aço chinês para fornecedores alternativos, como Coreia do Sul e Vietnã, com spreads chegando a US$ 100 por tonelada. Essa realocação reforça o poder de precificação regional e reduz volatilidade importada. Para o BBA, o efeito pleno dessas mudanças deve ganhar força a partir do 3º trimestre de 2026, quando contratos e mix refletirem melhor o novo patamar.
Nem todos concordam. O Bank of America cortou a recomendação para neutro, avaliando que parte do otimismo já está precificado. A ação negocia a 5,3 vezes EV/EBITDA estimado para 2026, múltiplo que, na visão do banco, sugere menor assimetria de curto prazo. Já o Safra rebaixou para venda, citando riscos se os preços não avançarem como previsto ou se os custos não recuarem na velocidade necessária.
Para o investidor, o caso da Usiminas combina gatilhos regulatórios, disciplina comercial e recuperação cíclica, mas exige atenção a execução operacional e dinâmica de demanda. Com recomendações divergentes, a tese se apoia na consolidação do novo piso de preços e na captura de margens em um setor ainda em transição.