O Fiagro VGIA11 mantém foco em crédito do agronegócio, com ênfase em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). No fechamento de agosto de 2026, 84,0% do patrimônio líquido estava aplicado em ativos, distribuídos em 46 posições, somando R$ 857 milhões. O saldo remanescente permanecia em instrumentos de caixa.
A carteira alcança diferentes elos das cadeias do agro, de produtores a indústrias. Conforme o relatório mais recente, cooperativas respondiam por 31,8% da carteira de ativos, produtores por 32,8%, distribuidoras por 29,8% e indústrias por 5,6%. Os créditos estavam ligados a devedores com operações em 25 unidades da Federação, incluindo Mato Grosso, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
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O volume de investidores coloca o fundo em destaque no segmento. Com pouco mais de 174 mil cotistas, é apontado por dados de mercado como o maior Fiagro do Brasil em número de investidores, concentrando cerca de um terço de todos os cotistas dos Fiagros listados na B3.
VGIA11 foca em crédito do agronegócio
O fundo busca gerar rendimentos e, eventualmente, ganhos de capital por meio de investimentos ligados às cadeias produtivas do agronegócio. A política de investimento define os CRAs como prioridade, observando limites de concentração e critérios de elegibilidade previstos em regulamento, e admite aplicações em ativos de liquidez para gestão de caixa.
No relatório de agosto, a gestão indicou como prioridade para os meses seguintes ampliar a aquisição de ativos e prosseguir com a diversificação da carteira, mantendo o acompanhamento dos créditos já investidos.
O que é o fundo e como investe
Os CRAs formam o núcleo da alocação. Em agosto, representavam 67,0% do patrimônio líquido, enquanto as CPR-Fs respondiam por 7,8%, as debêntures por 3,0% e as cotas de fundos por 6,2%. Outros 16,0% estavam alocados em caixa. Toda a carteira de ativos estava indexada ao CDI naquele momento.
Segundo a gestão, a estratégia mira rentabilidade referenciada em CDI acrescido de prêmio, motivo pelo qual não havia intenção de direcionar novas alocações para operações atreladas à inflação. A taxa média de aquisição dos ativos equivalia a CDI + 4,14% ao ano, considerando cupons e eventuais ágios, deságios ou prêmios. A duration média era de 2,2 anos.
Entre as maiores posições figuravam o CRA Fiagril VI, com 9,71% do patrimônio líquido, o CRA Fortaleza do Guaporé, com 6,92%, e o CRA Languiru, com 6,05%. A carteira incluía ainda operações ligadas a Cotribá, Belagrícola, Cotrisul, Coopermil, Uby Agroquímica e diversos grupos de produtores rurais.
Garantias das operações de crédito
As estruturas de crédito contam com mecanismos de garantia que variam conforme cada operação. Entre eles, alienação fiduciária de imóveis e terras, cessão fiduciária de recebíveis, penhor agrícola de grãos e outros produtos, alienação fiduciária de safra e avais de sócios, diretores ou empresas dos respectivos grupos econômicos.
No CRA Irmãos Walker, as garantias incluem alienação fiduciária de terras, cessão fiduciária de direitos creditórios da comercialização de grãos e avais. O CRA Cotribá possui cessão fiduciária de recebíveis vinculados a contratos de venda, aval e alienação fiduciária de imóvel. Já o CRA Belmiro Catelan, ligado a produtores de soja e algodão na Bahia e no Piauí, reúne alienação fiduciária de terras, cessão fiduciária de recebíveis e avais de integrantes do grupo econômico.
O relatório ressalta que parte relevante das operações com cooperativas e distribuidores tem exposição indireta a produtores agrícolas e utiliza como garantia recebíveis vinculados à venda de produtos para tradings do setor.
Acompanhamento do crédito da Languiru
A gestão monitora de perto as operações ligadas à Cooperativa Languiru. No relatório de agosto, informou que a cooperativa seguia inadimplente e que permanecia o trabalho de recuperação da parcela em atraso por meio das garantias, sem descartar eventuais negociações para reaver o crédito.
A exposição à Languiru aparecia em três papéis que, em conjunto, somavam 12,02% do patrimônio líquido em agosto. Além do CRA Languiru, listado entre as maiores posições, a carteira incluía o CRA Languiru II 2S, com 3,26%, e o CRA Languiru III, com 2,71%.
Dividendos e dados de mercado
O último rendimento informado no relatório de agosto foi de R$ 0,12 por cota, pago em 18 de setembro de 2026. Em julho e junho, houve distribuição de R$ 0,13 por cota em cada mês. Nos 12 meses apurados no documento, os dividendos somaram R$ 1,64 por cota e, em 2026, até agosto, a distribuição acumulada atingia R$ 1,07 por cota.
Tomando como base o valor de emissão da primeira oferta, de R$ 10,00, o pagamento de agosto correspondeu a rendimento mensal líquido de 1,20%. O relatório destaca que rendimentos recebidos por pessoas físicas podem ser isentos de Imposto de Renda quando cumpridas as condições legais aplicáveis aos Fiagros negociados em mercado organizado.
Conforme dados do Status Invest, o fundo aparece com patrimônio líquido próximo de R$ 1,0 bilhão, cotação de R$ 8,78, valor patrimonial de R$ 9,60 por cota e múltiplo P/VP de 0,91. Este conteúdo tem caráter informativo sobre o Fiagro e não constitui recomendação de investimento.