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UBS rebaixa Ambev para venda; entenda os motivos

UBS rebaixa Ambev para venda; entenda os motivos
Foto: Suno/Banco

A Ambev (ABEV3) teve a recomendação rebaixada de neutra para venda pelo UBS BB após uma alta de 32% em seis meses. Segundo o banco, o preço atual já embute expectativas difíceis de sustentar, dado o crescimento moderado dos lucros e o custo de capital elevado no Brasil. O valuation esticado, frente ao histórico, reforça a visão de assimetria negativa no curto e médio prazo.

O UBS destaca um “desalinhamento crescente” entre o perfil de crescimento de lucros, o custo de capital local e o valuation. O preço-alvo foi cortado de R$ 15 para R$ 14,50, com base em múltiplo de 13,5 vezes o lucro projetado para 12 meses. A ação negocia a cerca de 16 vezes o lucro estimado para 2026, um prêmio de 19% sobre a média de cinco anos, sinalizando que o mercado já precifica um cenário mais benigno que o projetado.

Entre as projeções, o banco vê lucro por ação estável em 2026, com crescimento médio anual de 5% nos próximos cinco anos. As estimativas apontam alta do EBITDA de 4,6% em 2026 e 5,5% em 2027, em linha com um ritmo orgânico moderado. A receita deve avançar 8% no período, apoiada por mix e preço.

O volume, por sua vez, deve crescer 3,5% em 2026, após queda de 4,5% em 2025, refletindo recuperação gradual do consumo. Ainda assim, o banco avalia que a relação risco-retorno permanece menos atrativa, já que a precificação atual pressupõe aceleração mais forte do que a indicada pelos fundamentos.

Riscos macroeconômicos e a volatilidade de commodities podem pressionar margens e o EBITDA. A política conservadora de alavancagem pode conter distribuições aos acionistas, reduzindo o apelo para investidores de renda. Mudanças no comportamento do consumidor, com jovens consumindo menos álcool, adicionam incerteza às projeções.

A estratégia de premiumização ganhou tração, com linhas premium representando 20% do volume, ante 12% há três anos, mas ainda não gerou ganhos relevantes de margem. Para o UBS, a combinação de crescimento moderado, custo de capital alto e múltiplos elevados sustenta a recomendação de venda para a Ambev.

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