A Natura (NATU3) reportou um prejuízo líquido de R$ 445 milhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado superou as projeções negativas do mercado, refletindo preocupação com margens e geração de caixa.
A piora do desempenho financeiro foi atribuída à combinação de mudanças no modelo operacional e queda de receitas em mercados-chave. O prejuízo líquido de R$ 445 milhões contrasta com perdas de R$ 152 milhões no mesmo período de 2025, indicando deterioração sequencial na rentabilidade. O ambiente macroeconômico mais fraco em Brasil e Argentina também pesou sobre a demanda e a eficiência comercial da companhia.
A receita líquida somou R$ 4,75 bilhões, recuo de 7,7% na comparação anual, enquanto o Ebitda recorrente alcançou R$ 346 milhões, queda de 55,7% frente ao 1º trimestre anterior. O indicador ficou abaixo do consenso de R$ 430 milhões compilado pela LSEG, sinalizando pressão adicional sobre a margem bruta e eficácia operacional. Esse descompasso com o mercado reforçou a leitura de curto prazo mais cautelosa.
A XP Investimentos avaliou que os números vieram aquém do esperado, com destaque para a margem comprimida e um cenário competitivo mais intenso. O fluxo de caixa livre negativo de R$ 430 milhões foi influenciado por pagamentos do acordo Chapman e despesas de reestruturação, fatores não recorrentes que, ainda assim, afetam a percepção de risco no curto prazo entre investidores institucionais.
Riscos operacionais adicionais foram ressaltados para o segundo trimestre, especialmente ligados à implementação do sistema SAP em junho. A corretora observa que eventuais transtornos na migração podem impactar faturamento, estoques e eficiência logística temporariamente. Por outro lado, a bem-sucedida conclusão do projeto tende a capturar ganhos de produtividade adiante.
Apesar do tom negativo, a empresa segue com iniciativas para simplificar estruturas, otimizar portfólio e priorizar rentabilidade. Investidores acompanharão de perto a execução dessas frentes e a normalização do capital de giro, elementos centrais para a recuperação das margens e do valuation de Natura NATU3.