A Malha Oeste saiu do escopo operacional da Rumo (RAIL3), mas, na visão dos analistas, o movimento não altera a tese da companhia. Em relatório, a equipe manteve a recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 23, o que indica potencial de valorização de 74,6% ante a cotação de R$ 13,17.
O ponto central é o fim da concessão da Malha Oeste, encerrada em 30 de junho. A companhia assinou um aditivo contratual que lhe permite operar temporariamente os ativos por até 180 dias, restrita a um escopo mínimo. Esse escopo abrange preservação, vigilância, manutenção essencial e monitoramento, sem expansão de serviços.
Malha Oeste encerra concessão e muda rotina operacional
Durante o período de transição, a Malha Oeste não prestará serviços de transporte ferroviário. Além disso, não haverá cobrança de outorga, arrendamento ou outros encargos vinculados à concessão, conforme previsto no aditivo que rege a etapa temporária.
Na avaliação dos analistas, o desenho reduz o risco de impacto financeiro relevante para a Rumo. Os custos incorridos nessa operação mínima serão tratados como créditos devidos à companhia pelo poder concedente, fora do equilíbrio econômico-financeiro do contrato original. Assim, as despesas de preservação não recaem sobre a operação corrente da empresa.
A manutenção do ativo em condições básicas segue condicionada às atividades de preservação, vigilância, manutenção essencial e monitoramento, sem geração de receita de transporte durante o período. O prazo de até 180 dias funciona como janela para organizar o encerramento operacional, sem repasses de outorga, arrendamento ou encargos adicionais.
Acerto de contas com governo federal entra em foco
O próximo passo será o processo de encontro de contas entre a Malha Oeste e o governo federal. A apuração deve contemplar créditos em disputa, eventuais passivos regulatórios da ANTT, investimentos já realizados e ainda não amortizados, além dos gastos da Rumo ao longo da transição.
Para os analistas, o compromisso do governo com esse cálculo é positivo, pois ajuda a mitigar uma incerteza antiga sobre os efeitos econômicos da devolução dos ativos. O detalhamento do acerto tende a esclarecer responsabilidades e valores, oferecendo maior previsibilidade ao fluxo financeiro relacionado ao fim da concessão.
No campo de valuation, a recomendação de compra para Rumo foi reiterada, com a ação negociando a cerca de 6 vezes EV/EBITDA estimado para 2026. Segundo o relatório, a precificação atual incorpora o cenário de transição da Malha Oeste, enquanto os fundamentos operacionais da companhia seguem amparados por sua base de ativos e contratos.
Sobre a Malha Oeste, o documento destaca que concluir a retirada da concessão e remover a incerteza sobre a devolução representa “um importante processo de redução de risco para RAIL”. A avaliação sintetiza o entendimento de que a resolução do ativo, aliada ao acerto de contas com o poder concedente, tende a estabilizar as premissas econômicas ligadas ao tema.
Com a transição formalizada e sem prestação de transporte ferroviário no período, a estrutura prevista pelo aditivo busca preservar os ativos até a conclusão dos trâmites. A ausência de outorga, arrendamento e encargos, somada ao tratamento dos custos como créditos a receber, foi apontada pelos analistas como fator que limita potenciais impactos financeiros sobre a companhia.