O Ibovespa encerrou a segunda-feira em queda de 0,21%, aos 168.668,72 pontos, renovando o menor nível desde janeiro e reforçando o viés defensivo dos investidores. O volume financeiro somou R$ 20,7 bilhões, em um pregão marcado pela continuidade da saída de capital estrangeiro e pela piora gradual nas projeções macroeconômicas domésticas. O ambiente externo também pesou, com a aversão ao risco sustentada por tensões geopolíticas.
A preferência de alocação por outros mercados emergentes, especialmente na Ásia, seguiu limitando o apetite por ativos locais. Analistas destacam que a combinação de juros ainda elevados, revisão das expectativas de inflação e câmbio, além do cenário internacional incerto, tem reduzido o espaço para uma recuperação consistente do índice. Nesse quadro, a demanda por proteção aumentou e o dólar ganhou força frente ao real.
Segundo Fabio Louzada, economista e fundador da B7 Business School, o mercado iniciou a semana em tom conservador. “O Ibovespa enfrenta um dia de queda, enquanto o dólar voltou a operar em alta frente ao real. O movimento mostra que o investidor está sem apetite ao risco”, afirma. Para ele, o posicionamento mais cauteloso deve perdurar enquanto não houver gatilhos domésticos claros.
O fluxo estrangeiro segue como o principal vetor da fraqueza recente. Louzada aponta que, mesmo quando surgem repiques intradiários, o comprador não sustenta a alta. Em outras palavras, falta convicção para aumentar exposição a Brasil no curto prazo. A leitura é reforçada pela migração de recursos para ações de tecnologia nos EUA e para mercados asiáticos com perspectivas de crescimento mais firmes.
O Boletim Focus adicionou pressão ao elevar projeções de inflação, câmbio e juros, diminuindo a probabilidade de cortes mais agressivos na Selic em 2026. Esse ajuste nas expectativas encarece o custo de capital e tende a comprimir os múltiplos de empresas sensíveis à taxa de juros, reforçando o movimento de rotação setorial.
Entre os destaques do pregão, WEG (WEGE3) avançou 3,63% e Petrobras (PETR4) subiu 0,81%, amparadas por fundamentos específicos e rotação tática. Do lado negativo, Vale (VALE3) recuou 0,80% e Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 0,80%. Mineradoras e siderúrgicas lideraram as perdas, refletindo preocupações com a demanda chinesa e o crescimento global. No fechamento, o Ibovespa preservou o suporte recente, mas sem sinais claros de reversão.