O Ibovespa fechou em queda de 0,92% na última segunda-feira (5), aos 185.600,12 pontos, no menor nível desde abril, em um pregão marcado por aversão ao risco global e volume financeiro de R$ 26,4 bilhões. A pressão veio sobretudo da escalada geopolítica no Oriente Médio, que elevou a percepção de risco e mexeu com as expectativas para inflação e juros no mundo.
O índice acumula 12 sessões com apenas duas altas desde o pico de 14 de abril. Na mínima do dia, tocou 185.537,58 pontos, refletindo a deterioração do sentimento ao longo do pregão. O movimento foi acompanhado por enfraquecimento de setores cíclicos e queda em grandes pesos da carteira, como mineração e bancos, ampliando a correção recente do mercado brasileiro.
As tensões no Oriente Médio voltaram ao foco após relatos de drones atribuídos ao Irã atingirem instalações petrolíferas nos Emirados Árabes Unidos e novos incidentes no Estreito de Ormuz. A possibilidade de interrupção no fornecimento global de petróleo adicionou prêmio de risco às commodities e reforçou a cautela dos investidores. Segundo Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos, o choque do petróleo contamina expectativas de inflação e juros enquanto o conflito persiste sem solução à vista.
Entre as ações do índice, houve predominância de perdas, embora algumas companhias tenham se beneficiado da alta do petróleo e de fluxos defensivos. As maiores altas foram Prio (+5,65%), Minerva (+4,74%) e Braskem (+3,83%), enquanto Hapvida (-7,18%), Cyrela (-4,98%) e MRV (-3,47%) lideraram as quedas. A Vale recuou 3,10% e os grandes bancos também contribuíram negativamente, reforçando a queda do índice.
O petróleo disparou com a escalada geopolítica: Brent avançou 5,8%, a US$ 114,44, e o WTI subiu 4,29%, a US$ 106,42. Em Nova York, os índices fecharam mistos, refletindo a tensão setorial: Dow Jones caiu 0,21% (38.370 pontos), S&P 500 recuou 0,34% (5.045 pontos) e Nasdaq cedeu 0,12% (15.680 pontos), em um dia de rotação cautelosa.
Stephan Kautz, da EQI Investimentos, avalia que há um prêmio relevante incorporado aos preços do petróleo diante do risco de oferta. Porém, ele destaca que, caso as tensões diminuam, pode ocorrer uma descompressão rápida nas cotações, aliviando parte da pressão sobre ativos de risco e abrindo espaço para recuperação do Ibovespa.