O fundo imobiliário HSLG11 (HSI Logística FII) recuou quase 5% nesta segunda-feira (17), em meio às preocupações do mercado com a situação financeira da Casas Bahia. Segundo dados do próprio fundo, 30,9% da receita contratada do FII está associada à varejista, incluindo áreas sublocadas pelas quais a companhia segue responsável pelo pagamento integral dos aluguéis.
No pregão desta segunda-feira, a cota terminou a R$ 79,75, queda de 4,35%. A exposição concentrada na Casas Bahia ajuda a explicar a reação do mercado, uma vez que o elo direto com a locatária representa parcela relevante da geração de receita do portfólio.
Fundo concentra 30,9% da receita na Casas Bahia
O relatório gerencial de julho detalha a concentração. A Casas Bahia responde por 27,6% da receita contratada, enquanto 3,3% decorrem de áreas sublocadas, mas cujo pagamento permanece sob responsabilidade da varejista. Em seguida, aparecem Mercado Livre, com 13,3%; Bemol, com 12,9%; Assaí, com 11,8%; e Comercial Esperança, com 7,7%.
Dois ativos concentram a exposição à Casas Bahia: os imóveis de Contagem (MG) e São José dos Pinhais (PR), ambos totalmente locados à companhia. O ativo de Contagem tem 92 mil metros quadrados de ABL e contrato típico. Já São José dos Pinhais soma 74,2 mil metros quadrados, com contrato atípico.
O portfólio do FII é composto por seis empreendimentos, somando 507.951 metros quadrados de ABL própria. Além dos dois imóveis vinculados à varejista, a carteira inclui ativos em Arujá e Itapevi, em São Paulo; Manaus, no Amazonas; e Araucária, no Paraná. A gestão informa potencial de redução da concentração: após novas comercializações, a participação relacionada à Casas Bahia poderia diminuir cerca de 12 pontos percentuais, para aproximadamente 19% da receita contratada.
Fundo terminou julho sem vacância
Os indicadores operacionais mais recentes mostram ocupação integral. Em julho, o relatório registrou vacância física de 0% e inadimplência de 0%. A carteira tem maior peso no Sudeste, responsável por 63,3% da receita contratada, seguido pelo Sul, com 23,7%, e pelo Norte, com 13%. Por estado, São Paulo representa 42,5%, Minas Gerais, 20,8%, Paraná, 23,7%, e Amazonas, 13%.
Quanto ao perfil de contratos, 63,3% da receita estava atrelada a contratos típicos e 36,7% a contratos atípicos. Em indexadores, 91,7% da receita contratada seguia o IPCA e 8,3% o IGP-M. O índice de alavancagem líquida informado era de 20,2%.
Entre abril e julho, o aluguel nominal médio do portfólio avançou de R$ 26,20 para R$ 27,30 por metro quadrado. Em 2026, 97,2 mil metros quadrados — o equivalente a 19% da ABL total — passaram por revisionais, com aumento nominal médio de 15,2%.
Dividendos avançam em julho
O FII distribuiu R$ 0,75 por cota em julho, ante R$ 0,74 no mês anterior. Pelo preço de fechamento de julho, o pagamento representou um dividend yield anualizado de 9,9%. No mês, a receita imobiliária alcançou R$ 13,74 milhões e o resultado operacional somou R$ 9 milhões, ou R$ 0,71 por cota.
Como a distribuição superou o resultado do período, o fundo utilizou parte do resultado acumulado. Ao fim de julho, o saldo acumulado correspondia a R$ 1,29 por cota. A gestão manteve projeção de distribuição entre R$ 0,74 e R$ 0,76 por cota para o restante de 2026, ressalvando que a estimativa considera as informações disponíveis e pode ser alterada.
O FII encerrou julho com ocupação integral, inadimplência de 0% e rendimento de R$ 0,75 por cota. Ao mesmo tempo, os dados indicam que 30,9% da receita contratada está relacionada à Casas Bahia, combinando participação direta e áreas sublocadas pelas quais a companhia permanece responsável pelo pagamento integral dos aluguéis.