As tensões geopolíticas intensificaram a volatilidade nos mercados internacionais e impulsionaram uma busca por ativos com menor correlação externa. Nesse contexto, os fundos imobiliários (FIIs) surgem como alternativa defensiva, segundo análise da XP divulgada nesta quinta-feira (9). O movimento reflete uma rotação de risco, em que investidores priorizam previsibilidade de fluxo e menor exposição a choques globais.
O relatório da XP aponta uma realocação de capital para mercados menos dependentes dos Estados Unidos. O Brasil tem recebido parte desses recursos, favorecendo ativos domésticos mesmo em um ambiente ainda instável. Esse fluxo estrangeiro reforça a tese de diversificação local e contribui para o incremento de liquidez no mercado secundário de FIIs.
Como os fundos imobiliários se comportam diante do cenário externo? Pela própria natureza atrelada a bens reais e a fatores domésticos — como vacância, contratos de aluguel e indexadores locais —, os FIIs exibem baixa correlação com ativos internacionais. O IFIX, principal índice do segmento, mantém correlação de apenas 12% com a renda variável global e 4% com a renda fixa internacional, oferecendo blindagem parcial a choques externos.
Entre os destaques recentes estão os produtos da Suno Asset. O SNEL11 registrou volume superior a R$ 4 milhões, enquanto o SNAG11 superou R$ 2 milhões em negociações. O SNEL11 também ampliou sua base, alcançando mais de 87 mil cotistas ao longo dos últimos 12 meses, sinalizando maior pulverização e profundidade de mercado. Esses números reforçam a percepção de fortalecimento estrutural do setor.
Especialistas apontam que, em momentos de tensões geopolíticas, investidores valorizam previsibilidade e menor volatilidade. “Quando a liquidez sobe junto com o número de cotistas, isso geralmente indica um reposicionamento estrutural e não apenas especulativo”, afirma Gustavo Sung, economista. Esse comportamento tende a sustentar prêmios de risco mais estáveis para segmentos com contratos resilientes e gestão ativa.
O IFIX encerrou a sessão em 3.891,72 pontos, alta de 0,03%. A continuidade desse movimento dependerá do cenário internacional, da política monetária doméstica e da manutenção do apetite por ativos reais. Em um ambiente desafiador, os fundos imobiliários seguem como peça relevante de diversificação e defesa.