O sistema financeiro brasileiro segue demonstrando resiliência, segundo o novo Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central. Mesmo após a liquidação extrajudicial do conglomerado Master, a autoridade monetária afirma que o setor mantém “capitalização e liquidez confortáveis”. De acordo com a pesquisa apresentada, 78% das instituições reportaram muita ou total confiança na robustez do sistema, reforçando o bom funcionamento dos mecanismos de proteção.
No caso específico do conglomerado Master, o BC destacou que não houve efeitos sistêmicos relevantes. O Fundo Garantidor de Créditos atuou como esperado, assegurando a cobertura aos depositantes e preservando a confiança. Observou-se a migração de recursos para bancos de maior porte, um comportamento típico em resoluções bancárias e que contribui para a estabilidade durante períodos de incerteza.
O relatório apontou, contudo, um cenário desafiador no crédito às famílias. A inadimplência avançou em todas as modalidades, ao mesmo tempo em que o comprometimento de renda aumentou, especialmente entre tomadores de menor renda. Esse movimento elevou o custo do crédito e o spread bancário em 2025, influenciados tanto pelo maior custo de captação quanto pela piora da qualidade das carteiras.
Apesar dessas pressões, o mercado de capitais tem crescido acima do crédito bancário tradicional, oferecendo alternativas de financiamento para grandes empresas. Esse canal tem ajudado a diversificar fontes de recursos, reduzindo a concentração no sistema bancário e distribuindo melhor os riscos, fator que contribui para a estabilidade financeira no médio prazo.
Diante de riscos macroeconômicos e turbulências externas, o BC realizou testes de estresse que indicaram a capacidade de absorção de choques pelas instituições. Esses resultados sugerem que a combinação de capitalização adequada, liquidez e mecanismos de resolução eficientes sustenta a confiança do público e do investidor.
Em síntese, o sistema financeiro segue sólido, ainda que atento aos sinais de deterioração no crédito às famílias. A continuidade da melhoria regulatória, a atuação coordenada de garantias e a profundidade do mercado de capitais formam um tripé essencial para manter a estabilidade e apoiar o crescimento econômico sustentável no país.