A Ambev (ABEV3) divulgou resultados do 1T26 acima do esperado, sustentados por margens resilientes e desempenho superior no Brasil. Investidores reagem à combinação de lucro sólido e volumes crescentes em segmentos de maior valor agregado.
No trimestre, a cervejaria reportou lucro líquido de R$ 3,89 bilhões, avanço de 2,1% na comparação anual. Na base ajustada, a variação foi de 0,3%, refletindo disciplina de custos e eficiência operacional em meio a um cenário competitivo. A leitura geral reforça a percepção de recuperação gradual do consumo.
O Ebitda ajustado somou R$ 7,55 bilhões, alta de 1,5%, com expansão de margem de 0,5 ponto para 33,6%. A receita líquida recuou 0,8% para R$ 44,97 bilhões, enquanto o lucro bruto cresceu 0,3%, alcançando R$ 11,58 bilhões. Esse quadro sugere foco em rentabilidade e mix, com ganhos de produtividade.
Desempenho no Brasil e mix de categorias impulsionam resultado
O destaque foi o segmento de cerveja Brasil, que surpreendeu com crescimento de volumes de 1,2%, um recorde para primeiros trimestres. As projeções indicavam queda entre 1% e 2%, o que realça a elasticidade da demanda e a assertividade comercial da companhia. Esse resultado mitigou preocupações com sazonalidade e preço.
As categorias premium e super premium avançaram cerca de 20%, compensando parcialmente a retração de um dígito baixo nas linhas core e value. A estratégia de premiumização, distribuição e inovação favoreceu o mix e ajudou a sustentar margens. A diversificação por faixas de preço manteve a competitividade no PDV.
A XP Investimentos avaliou que os números devem levar a revisões positivas nas estimativas, destacando execução consistente. O Itaú BBA apontou que o resultado operacional ficou R$ 300 milhões acima do projetado, com a operação brasileira contribuindo em aproximadamente R$ 175 milhões dessa surpresa. O sentimento de mercado, portanto, tornou-se mais construtivo no curtíssimo prazo.
Em síntese, a Ambev entregou crescimento de volumes no Brasil, ganhos de margem e lucro em alta, mesmo com leve queda de receita. O recado ao investidor é de resiliência operacional e tração nas frentes de maior valor, fatores que explicam a forte reação das ações.