O mercado brasileiro de ETFs caminha para ultrapassar 1 milhão de investidores. Em agosto, 929 mil pessoas detinham cotas desses fundos, crescimento de 39% em relação a um ano antes, conforme dados da B3 (B3SA3). O patrimônio da indústria somou R$ 142 bilhões.
Os números foram apresentados por Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, na abertura do ETF Day, realizado na quarta-feira (16), dentro da programação da B3 Week 2026, em São Paulo. Segundo ele, a evolução recente amplia a base de participantes e atrai novas ofertas.
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Número de ETFs locais avança 55%
A quantidade de ETFs lançados e negociados no Brasil cresceu 55% em 12 meses, alcançando 219 produtos. Além disso, a B3 disponibiliza 312 ETFs globais, acessíveis no país por meio de BDRs de ETF, ampliando o leque de exposição internacional.
Esses recibos oferecem acesso a fundos estrangeiros sem a necessidade de abrir conta diretamente em uma bolsa fora do Brasil. “Os números de crescimento são exponenciais. A indústria de ETFs no Brasil avançou bastante nos últimos anos, mas, apesar disso, ainda temos muito espaço para crescer”, afirmou Masagão.
Apesar da forte expansão, os fundos de índice ainda têm peso reduzido na indústria local de investimentos. Na visão do executivo, há margem para ampliar tanto a prateleira de produtos quanto a quantidade de investidores com exposição ao segmento.
Os ETFs são fundos que buscam replicar um índice ou uma estratégia específica. Suas cotas são negociadas na bolsa como ações, o que permite acesso a uma carteira diversificada em uma única operação.
Oferta supera os índices tradicionais de ações
O primeiro ETF brasileiro foi o PIBB11, lançado em 2004 em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Desde então, a indústria deixou de se concentrar apenas nos índices amplos de ações.
Hoje, há ETFs atrelados à renda fixa, ao ouro, aos criptoativos, a ações internacionais e a estratégias temáticas. Segundo Masagão, a combinação de simplicidade operacional, negociação nas mesmas plataformas usadas para ações e eficiência de custos está entre os principais atrativos.
A maior variedade também permite que investidores e assessores acessem diferentes mercados e classes de ativos sem montar, papel a papel, a carteira que compõe determinado índice. Isso reduz a complexidade operacional para diversificação.
B3 ressalta liquidez e formadores de mercado
Durante o evento, Fabiana Perobelli, superintendente de Relacionamento com Clientes da B3, disse que todos os 219 ETFs locais contam com ao menos um formador de mercado. Essa atuação mantém ofertas de compra e venda ativas, ajudando a dar liquidez.
Os formadores de mercado buscam diminuir a diferença entre o preço de negociação da cota e o valor dos ativos que compõem a carteira do fundo. “Não dá para pensar em um mercado líquido, que vai crescer ainda mais, sem essa figura importante que é o formador de mercado”, disse Perobelli.
A agenda do ETF Day também abordou internacionalização de carteiras, renda fixa, crédito privado, tributação, ativos ETFs ativos entram no radar regulatório
Entre as possíveis evoluções da indústria estão os ETFs de gestão ativa. Ao contrário dos tradicionais, que buscam apenas replicar um índice, esses veículos permitem maior liberdade para o gestor selecionar e ajustar os ativos.
Daniel Maeda, superintendente jurídico da B3, afirmou que o assunto figura entre as principais demandas de desenvolvimento do mercado e integra um projeto normativo em análise pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A expectativa é ampliar o escopo regulatório para acomodar novas estruturas.
No campo de ativos digitais, a B3 já reúne mais de 40 ETFs ligados a criptoativos, de acordo com Jackeline Melanias, coordenadora de Produtos da B3. A companhia também vem expandindo sua infraestrutura para negociar derivativos relacionados a esse mercado.
A internacionalização foi outro foco, com destaque para os BDRs de ETFs e para o ETF Connect, iniciativa que aproxima os mercados brasileiro e chinês. Com 929 mil investidores, R$ 142 bilhões em patrimônio e uma prateleira que combina produtos locais e globais, os ETFs consolidam espaço na B3, ainda com margem para avanço no mercado brasileiro.