O Brasil assumiu a dianteira em inovação para o agronegócio e concentra a maior parte das agtechs da América Latina e Caribe. A primeira edição do Radar AgTech América Latina e Caribe (LAC), coordenada pela Embrapa, mapeou o ecossistema de startups do setor em 23 países.
De acordo com o estudo, o Brasil reúne 2.075 das 2.656 agtechs identificadas, o que corresponde a 78% do total. Argentina, México, Chile, Colômbia e Uruguai aparecem na sequência, porém com bases muito menores.
O levantamento associa a liderança brasileira à escala do agronegócio, à presença de centros de pesquisa, universidades e investidores especializados, além do amadurecimento do ecossistema de inovação voltado ao campo.
As agtechs atuam em diferentes etapas da produção agrícola, com soluções de agricultura de precisão, inteligência artificial, automação, monitoramento remoto, gestão de dados e rastreabilidade. Essas tecnologias elevam a produtividade, reduzem desperdícios e aprimoram a eficiência operacional nas propriedades.
Para a Embrapa, os resultados evidenciam um processo consistente de amadurecimento do ecossistema latino-americano, com o Brasil em posição de destaque na criação e difusão de tecnologias para o setor agropecuário.
Inovação e estratégia de longo prazo do SNAG11
O avanço das agtechs reforça um ambiente favorável aos segmentos acompanhados pelo Fiagro que investe em operações de crédito ligadas ao agronegócio brasileiro. O fundo não investe diretamente em startups de tecnologia, mas parte das operações financiadas se insere em cadeias produtivas que vêm incorporando agricultura de precisão, irrigação, monitoramento e gestão digital para ampliar a eficiência no campo.
A modernização tende a aumentar a produtividade, reduzir custos operacionais e fortalecer a capacidade financeira de produtores rurais e empresas do setor. Esses fatores contribuem para um ambiente mais sólido para operações de crédito estruturadas, foco principal do veículo.
Nos últimos meses, o fundo também ampliou a exposição a segmentos de infraestrutura agrícola, como irrigação e armazenagem, áreas que vêm incorporando novas tecnologias para elevar a eficiência da produção e mitigar riscos climáticos.
Com patrimônio próximo de R$ 1 bilhão, mais de 130 mil cotistas e carteira sem registros de inadimplência, o veículo segue posicionado em um setor que combina expansão da produção agrícola com avanço contínuo da inovação tecnológica no campo brasileiro.
Irrigação ganha espaço na estratégia do fundo
Após a quinta emissão de cotas, o fundo passou a ter maior exposição ao segmento de infraestrutura para irrigação. Com cerca de R$ 301 milhões captados na oferta, foram destinados aproximadamente R$ 200 milhões ao Fiagro FIDC Irriga Brasil, veículo voltado ao financiamento de sistemas de irrigação utilizados por produtores rurais.
Segundo a Suno Asset, a irrigação é um dos principais instrumentos para reduzir riscos climáticos e aumentar a previsibilidade das safras. Em apresentação a investidores, o analista João Vitor Franzin afirmou que os sistemas irrigados atuam como proteção em períodos de escassez hídrica, permitindo manter elevados níveis de produtividade mesmo em anos com menor volume de chuvas.
Essa expansão em infraestrutura dialoga com a tendência de adoção de tecnologias no campo e com a necessidade de resiliência operacional diante da variabilidade climática, fatores relevantes para a qualidade das operações de crédito.
Agtechs impulsionam eficiência e crédito no campo
A difusão de soluções como agricultura de precisão, inteligência artificial, automação, monitoramento remoto, gestão de dados e rastreabilidade tem ampliado margens de eficiência e transparência nas cadeias do agronegócio. Esse movimento fortalece a capacidade de pagamento de empresas e produtores, o que favorece a estruturação de operações de crédito com melhores métricas de risco.
O Radar AgTech América Latina e Caribe (LAC) indica que a região passa por um ciclo de consolidação no ecossistema de inovação, com o Brasil como principal polo. O ambiente de pesquisa, a disponibilidade de capital e a escala produtiva aceleram a adoção de novas tecnologias, criando efeitos positivos sobre produtividade, custos e gestão de riscos.
Nesse contexto, segmentos como irrigação e armazenagem tendem a se beneficiar da modernização tecnológica, contribuindo para operações financeiras mais robustas. A combinação entre crescimento da produção agrícola e avanço das agtechs segue moldando o cenário de financiamento do agro no país.