O relatório do Focus desta segunda-feira (18) apontou nova deterioração nas expectativas de inflação, reacendendo revisões para a taxa Selic ao longo do horizonte relevante. A mediana do IPCA para 2026 voltou a subir, marcando a décima semana consecutiva de alta, enquanto as projeções de juros também avançaram, refletindo maior percepção de risco e pressão vinda do cenário externo.
Entre as estimativas coletadas, a mediana do IPCA para 2026 passou de 4,91% para 4,92%, permanecendo acima do teto da meta de 4,50%. Nas 53 projeções dos últimos cinco dias úteis, a leitura ficou em 5,04%, indicando inclinação altista mais recente. Para 2027, a mediana seguiu em 4,00%, ao passo que 2028 subiu de 3,64% para 3,65% e 2029 permaneceu em 3,50%, sinalizando ancoragem parcial no mais longo prazo.
A mediana para a Selic no fim de 2026 avançou de 13,00% para 13,25%, interrompendo três semanas de estabilidade. Há um mês, estava em 12,50%, o que reforça a percepção de que o ciclo de flexibilização perdeu força. Para 2027, a mediana ficou em 11,25%, mas, nas projeções mais recentes, houve alta para 11,50%, refletindo cautela adicional dos agentes.
O Copom, por sua vez, já promoveu corte de 0,50 ponto percentual em 2026, levando a taxa básica de 15% para 14,50%. Na ata, o colegiado destacou “cautela e serenidade” diante das incertezas ligadas ao conflito no Oriente Médio e de seus efeitos potenciais sobre os preços via petróleo, mantendo dependência dos dados à frente.
No lado da atividade, a mediana para o PIB de 2026 ficou em 1,85%. Considerando apenas as projeções mais recentes, houve leve ajuste de 1,90% para 1,88%. Para 2027, a mediana subiu de 1,76% para 1,77%, enquanto 2028 e 2029 seguiram em 2,00%, sugerindo crescimento moderado e pouco volátil no longo prazo.
No câmbio, o dólar ao fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20, apesar do ambiente global volátil. Entre os fatores de risco monitorados estão os preços de commodities e a dinâmica fiscal doméstica, que podem afetar tanto o câmbio quanto as expectativas de inflação.
Perspectivas à frente indicam que o Focus seguirá sensível a choques externos e ao balanço de riscos interno, com atenção redobrada à dinâmica do IPCA e à trajetória da Selic ao longo de 2026.