O boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (4) apontou nova alta nas projeções do IPCA para 2026, reforçando o alerta sobre pressões inflacionárias persistentes. Em paralelo, o mercado manteve a expectativa de juros elevados por mais tempo, sinalizando postura cautelosa diante do cenário externo volátil e dos riscos sobre preços de energia.
As estimativas medianas para o IPCA de 2026 subiram de 4,86% para 4,89%, aproximando-se do teto da meta de 4,50%. Esse movimento indica deterioração das expectativas recentes e reforça a necessidade de monitorar choques de oferta e a inércia inflacionária que ainda permeia a economia.
Nos cálculos mais atualizados, a projeção de curto prazo também avançou para 4,91%, corroborando um quadro desafiador para a convergência da inflação. Para 2027, a estimativa ficou em 4,00%, enquanto 2028 passou de 3,61% para 3,64%, e 2029 permaneceu em 3,50%, concentrando as pressões no horizonte mais imediato.
A taxa Selic projetada para o fim de 2026 seguiu em 13,00% pela segunda semana consecutiva, evidenciando a percepção de que a política monetária seguirá contracionista por um período prolongado. Nas projeções mais recentes, a taxa também ficou estável nesse patamar.
Para 2027, o mercado estima Selic em 11,00%; para 2028, 10,00%; e, para 2029, houve revisão de 9,75% para 10,00%. O Copom reduziu a Selic de 14,75% para 14,50% na última reunião e afirmou que as próximas decisões dependerão da evolução dos conflitos no Oriente Médio e de seus efeitos sobre combustíveis e custos logísticos.
No câmbio, houve algum alívio: o dólar é projetado em R$ 5,25 ao fim de 2026 e R$ 5,30 em 2027, com revisões baixistas também para 2028 e 2029, atenuando parte das pressões importadas.
O quadro traçado pelo Focus reforça a necessidade de prudência na condução da política econômica. Com inflação acima da meta no horizonte relevante e juros elevados, o desafio é calibrar o ritmo de cortes sem reacender as expectativas.