A Usiminas USIM5 surpreendeu o mercado ao reportar lucro líquido de R$ 896 milhões no 1T26, avanço de 166% em relação ao 1T25 e salto de 596% frente ao 4T25. O desempenho foi sustentado por melhora operacional e efeito positivo do resultado financeiro, com ganhos cambiais que compensaram parte da menor venda de aço, sobretudo no exterior.
O Ebitda ajustado somou R$ 653 milhões, alta de 56% na comparação trimestral, mas queda de 11% ante o mesmo período do ano anterior. A receita líquida ficou em R$ 5,9 bilhões, retração anual de 14%, refletindo menor comercialização e normalização de volumes após bases comparativas mais fortes. Ainda assim, a Usiminas USIM5 manteve disciplina de custos e maior seletividade comercial.
A corretora XP classificou os resultados da Usiminas como acima do esperado. O Ebitda da divisão de Aço alcançou R$ 544 milhões, 43% superior às projeções internas, com margem de 10,4%. Preços mais altos, melhor mix de vendas e redução de custos de transformação contribuíram para a expansão de margens, apesar do ambiente externo mais desafiador.
Além do aço, a unidade de mineração apresentou melhora gradual, ajudada por volumes crescentes e câmbio favorável, embora fretes marítimos mais elevados tenham limitado parte do ganho. O resultado financeiro líquido também teve efeito relevante, com impactos cambiais positivos sobre passivos e caixa dolarizado, reforçando a linha de lucro.
Perspectivas indicam Ebitda consolidado estável no 2T26. Em Aço, custos maiores de matérias-primas devem ser compensados por preços mais firmes e continuidade do mix favorável. Na Mineração, a empresa espera volumes mais altos, porém com pressão de frete marítimo, o que exige foco em eficiência logística e contratos otimizados.
Para o investidor, a Usiminas USIM5 entra no segundo trimestre com alavancas claras: disciplina de custos, reposicionamento de preços e captura de ganhos operacionais. A leitura da XP reforça o viés construtivo, mas a dinâmica de demanda externa e os custos de frete seguem no radar. Em síntese, os sinais do 1T26 favorecem a tese de recuperação gradual, com margens sustentadas por gestão ativa de portfólio.