O relatório do Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (20) apontou deterioração nas expectativas de inflação e alta nas projeções para a Selic em 2026, em um ambiente de maior incerteza global. A escalada dos preços do petróleo e a persistência de pressões em commodities têm influenciado as revisões, levando economistas a reavaliarem o ritmo de desinflação no horizonte relevante.
A mediana do IPCA para 2026 subiu de 4,71% para 4,80%, segundo o Banco Central. O número permanece acima do teto da meta de 4,50%, reforçando sinais de desancoragem no curto prazo. Nas projeções que consideram apenas os últimos cinco dias úteis, a leitura ficou estável em 4,85%, sugerindo que o viés altista persiste. Para 2027, a estimativa avançou de 3,91% para 3,99%.
A alta das commodities, sobretudo o petróleo, em meio aos conflitos no Oriente Médio, tem pressionado combustíveis, transporte e custos produtivos. Esse repasse tende a elevar a inércia inflacionária e a ampliar a dispersão de preços, dificultando o retorno ao centro da meta. O BC projeta IPCA de 3,9% para 2026 e inflação de 3,3% no terceiro trimestre de 2027, abaixo do consenso do mercado.
A distância entre as projeções oficiais e as do mercado indica maior incerteza e potenciais revisões na trajetória de juros. Com choques persistentes de oferta e resiliência de núcleos, a convergência da inflação pode exigir política monetária mais restritiva por mais tempo, elevando o custo desinflacionário e afetando atividade e crédito.
O Boletim Focus também mostrou alta na mediana da Selic para o fim de 2026, de 12,50% para 13,0%, após semanas de estabilidade. Para 2027, a taxa passou de 10,50% para 11,0%, encerrando 61 semanas sem mudanças. Esses ajustes reforçam um cenário de cautela e de prêmio de risco maior na parte longa da curva de juros.
O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,75% na última reunião, primeiro corte em quase dois anos, com tom prudente. Gabriel Galípolo enfatizou a baixa visibilidade do cenário, citando volatilidade externa. No câmbio, a projeção para o dólar em 2026 recuou de R$ 5,37 para R$ 5,30, refletindo a valorização recente do real e melhora pontual no fluxo.