O Boletim Focus desta semana indicou alta nas projeções do mercado para Selic e IPCA, segundo o Banco Central. A mudança reflete revisões após dados recentes de inflação e atividade, sugerindo um cenário de juros mais elevados por mais tempo e pressão gradual nos preços. As expectativas capturam a visão de mais de 100 instituições e servem como termômetro da política monetária.
Em relação à Selic, a mediana para 2026 subiu de 12,25% para 12,50%, e, nas estimativas coletadas nos últimos cinco dias úteis, permaneceu em 12,50%. Para 2027, a projeção ficou em 10,50%, enquanto 2028 e 2029 seguiram em 10,00% e 9,50%, respectivamente. O quadro indica desinflação mais lenta e convergência gradual ao neutro.
Para o IPCA, a expectativa de 2026 avançou de 4,10% para 4,17% na mediana geral; nas projeções mais recentes, atingiu 4,21%. Em 2027, a taxa permaneceu em 3,80%. Em 2028, houve leve alta de 3,50% para 3,52%, e 2029 seguiu estável em 3,50%. Esses movimentos sinalizam resistência inflacionária no horizonte relevante.
Projeções atualizadas do Boletim Focus
Nos prazos mais curtos, março de 2026 foi revisto de 0,32% para 0,37%, abril avançou de 0,41% para 0,43% e maio passou de 0,29% para 0,30%. No acumulado de 12 meses, a inflação esperada saltou de 3,99% para 4,07%, reforçando a necessidade de cautela. Essas leituras de curto prazo ajudam a calibrar as curvas de juros e a comunicação do BC.
O levantamento do Boletim Focus agrega previsões semanais, oferecendo transparência e ancoragem às expectativas. Mudanças na mediana costumam refletir a leitura do mercado sobre riscos fiscais, câmbio e choques de oferta. Assim, revisões na Selic e no IPCA espelham o balanço de riscos e o ritmo de cortes ou manutenção da política monetária.
Para investidores e empresas, as projeções funcionam como referência em decisões de crédito, precificação e hedge. A leitura dos números sugere postura prudente com prazos e indexadores, especialmente diante da combinação de inflação corrente pressionada e expectativas persistentemente acima da meta.
Em síntese, o Boletim Focus aponta Selic de 12,50% em 2026 e IPCA de 4,17%, com desinflação moderada adiante. O mercado mantém visão de normalização lenta, condicionada ao quadro fiscal e ao comportamento dos núcleos de inflação.