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Petróleo salta com risco geopolítico e ameaça à oferta

Petróleo salta com risco geopolítico e ameaça à oferta
Imagem gerada por IA

O petróleo avançou nesta segunda-feira (30). O rali reflete a escalada das tensões no Oriente Médio e o risco de interrupções no abastecimento global, fatores que reforçam o prêmio de risco da commodity nos mercados internacionais.

Em março, a cotação do petróleo Brent acumula valorização próxima de 60%, movimento impulsionado por choques geopolíticos envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. Investidores reprecificam a oferta futura à medida que declarações agressivas e ações militares aumentam a probabilidade de choques logísticos, sobretudo em rotas estratégicas de exportação.

Novos desdobramentos adicionaram combustível ao avanço dos preços. Donald Trump afirmou desejar “tomar o petróleo do Irã” em entrevista ao Financial Times, enquanto ataques do grupo hutí do Iêmen contra Israel ampliaram a geografia do conflito. Em paralelo, Israel intensificou bombardeios em Teerã e os EUA deslocaram 3.500 militares à região a bordo do USS Tripoli, elevando o alerta de mercado.

Segundo Danilo Coelho, economista da B7 Business School, a mudança de postura americana intensifica o choque de oferta percebido. “Trump alterou seu posicionamento e se colocou a favor de uma invasão terrestre, especificamente na ilha de Kharg, principal ponto de distribuição petrolífera iraniana”, disse. A possibilidade de danos à infraestrutura crítica sustenta prêmios de risco mais altos nos contratos futuros.

No Brasil, a Petrobras (PETR4) enfrenta pressão em margens, já que não consegue repassar integralmente as altas aos combustíveis sob a atual política comercial. Por outro lado, produtoras privadas tendem a se beneficiar de cotações internacionais elevadas. A alta dos derivados pode alimentar a inflação, exigindo cautela do Banco Central e mantendo juros elevados por mais tempo.

Adiante, o foco permanece na segurança de rotas como Estreito de Ormuz e no monitoramento de represálias entre atores regionais. Uma escalada com impacto físico na oferta poderia prolongar a pressão altista. Por ora, a liquidez defensiva e a busca por proteção sustentam o ímpeto, enquanto traders avaliam estoques, demanda sazonal e possíveis respostas diplomáticas. Em cenário de persistência do estresse, o petróleo pode seguir volátil, com impactos adicionais sobre combustíveis, inflação e atividade global.

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