A Petrobras (PETR3; PETR4) vai investir US$ 450 milhões para implantar um sistema de monitoramento sísmico no campo de Mero, na Bacia de Santos. Trata-se do maior projeto do mundo nessa tecnologia, com objetivo de elevar a produtividade por meio do acompanhamento contínuo dos reservatórios. Ao funcionar como uma “radiografia” submarina, o sistema amplia a precisão na leitura do subsolo e apoia decisões operacionais mais rápidas.
A solução permite detectar formações geológicas e rastrear o deslocamento de óleo, gás e água, fornecendo dados em tempo quase real sobre o comportamento do reservatório. Com isso, a companhia otimiza o planejamento, reduz incertezas e melhora a eficiência de poços e injeções. A palavra-chave principal, monitoramento, está no centro da estratégia para integrar geociência e engenharia.
A tecnologia PRM (Permanent Reservoir Monitoring) utiliza sensores sísmicos fixos no leito marinho, conectados por longos cabos ópticos. Diferentemente de levantamentos esporádicos, o PRM viabiliza vigilância contínua das zonas produtivas, aumentando a resolução temporal e a comparabilidade entre levantamentos. Essa consistência melhora o imageamento do reservatório e a calibração de modelos dinâmicos.
O acesso a dados imediatos deve aperfeiçoar a localização de alvos de perfuração, direcionar intervenções e elevar o fator de recuperação, sem ampliar significativamente o número de poços. Entre os ganhos estão menor reprocessamento de dados, decisões mais rápidas e redução de emissões, ao evitar atividades desnecessárias. Em paralelo, a solução fortalece a segurança operacional e a integridade dos ativos.
A primeira fase terminou em março, com 460 quilômetros de cabos e sensores ópticos cobrindo 222 km², e a coleta inicial ocorre no segundo trimestre de 2024. A segunda etapa acrescentará 316 quilômetros de cabos, estendendo a cobertura em mais 140 km² nas áreas dos FPSOs Duque de Caxias e Alexandre de Gusmão. A conclusão total está prevista para 2027, consolidando a liderança da companhia nessa frente tecnológica.
Com o monitoramento permanente, a Petrobras espera maximizar a extração em Mero, priorizando eficiência e sustentabilidade. A abordagem integra dados sísmicos de alta frequência com modelagem avançada, reduzindo custos operacionais e a pegada de carbono. Em síntese, o projeto posiciona a empresa na vanguarda do offshore profundo, ao combinar escala, inovação e resultados mensuráveis.