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Ibovespa oscila após “tarifaço” e encerra o dia com queda de 0,04%

Ibovespa oscila após “tarifaço” e encerra o dia com queda de 0,04%

O Ibovespa fechou esta quinta-feira (3) em leve baixa de 0,04%, aos 131.140,65 pontos, com volume financeiro negociado de R$ 28,2 bilhões. Ao longo do pregão, o principal índice da B3 variou entre a mínima de 130.181,74 pontos e a máxima de 132.552,11 pontos, após abrir o dia em 131.185,39 pontos. Na semana, o índice acumula recuo de 0,58%, mas mantém alta de 0,68% no acumulado dos três primeiros pregões de abril. No ano, o avanço é de 9,03%.

Na esteira do anúncio do pacote tarifário do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os mercados ainda digeriam os impactos das medidas. No Brasil, o desempenho da bolsa foi influenciado principalmente pela queda nos preços das commodities. A Vale (VALE3) recuou 3,62%, enquanto as ações da Petrobras também caíram: PETR3 perdeu 3,53% e PETR4 caiu 3,23%. Ainda assim, o Ibovespa conseguiu escapar de perdas maiores.

Na contramão das empresas ligadas a commodities, os grandes bancos registraram alta expressiva. Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 1,78%, Bradesco teve ganhos tanto com as ações ordinárias (BBDC3, +1,88%) quanto com as preferenciais (BBDC4, +1,92%), e Santander (SANB11) avançou 1,40%.

A leitura predominante no mercado é de que o Brasil não foi fortemente penalizado pelo pacote tarifário, recebendo apenas a alíquota mínima de 10%, que entra em vigor neste sábado (5). A resposta dos mercados globais às medidas foi mista: enquanto os preços do minério de ferro caíram de forma moderada na China, o petróleo despencou em Londres e Nova York, com perdas superiores a 6% para os contratos do Brent e do WTI.

Com a queda nos juros futuros, algumas ações do setor de educação tiveram destaque positivo, como Yduqs (YDUQ3), que avançou 3,78%. O movimento também beneficiou empresas dos setores de consumo, varejo e construção. Lojas Renner (LREN3) subiu 2,24%, Assaí (ASAI3) teve alta de 4,58% e Cyrela (CYRE3) ganhou 4,39%, segundo avaliação de Alison Correia, analista da Dom Investimentos.

Bolsas dos EUA despencam após pacote tarifário

Nos Estados Unidos, os principais índices acionários registraram fortes perdas nesta quinta-feira, refletindo o impacto das novas medidas protecionistas. O Nasdaq, índice focado em tecnologia, despencou 5,97%, encerrando o dia em 16.550,61 pontos. O Dow Jones caiu 3,98%, fechando aos 40.545,93 pontos, e o S&P 500 recuou 4,84%, para 5.396,52 pontos.

Dan Ives, analista da Wedbush Securities, classificou o pacote anunciado por Trump como “pior do que o pior cenário” previsto por Wall Street. Segundo ele, as ações do setor de tecnologia devem continuar sob forte pressão diante das preocupações com queda na demanda, impactos nas cadeias de suprimentos e, principalmente, os efeitos diretos das tarifas sobre China e Taiwan.

Já Oliver Blackbourn, gerente de portfólio da Janus Henderson, afirmou que o impacto global foi ainda mais severo do que se imaginava. “As tarifas foram mais altas do que o esperado para parceiros comerciais estratégicos, com países exportadores da Ásia entre os mais atingidos”, explicou em comunicado. Ele também alertou para a dificuldade de negociação: “Os prazos curtos para implementação das tarifas dificultam acordos específicos, frustrando as expectativas de quem esperava flexibilizações”.

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