
O Federal Reserve (Fed) decidiu manter a taxa de juros dos Fed Funds no intervalo entre 4,25% e 4,50% ao ano, conforme comunicado divulgado nesta quarta-feira (19). A decisão, tomada pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), já era amplamente esperada pelo mercado e foi a segunda manutenção consecutiva na política monetária dos Estados Unidos em 2025.
Impacto das tarifas e cenário inflacionário
Durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, destacou que as tarifas comerciais têm sido um fator determinante no aumento das expectativas de inflação. No entanto, ele minimizou o impacto de longo prazo, afirmando que a tendência inflacionária deve ser transitória e que as projeções permanecem bem ancoradas.
“Vamos monitorar de perto as expectativas de inflação”, disse Powell, reforçando que não vê um efeito duradouro sobre o cenário inflacionário de longo prazo.
Embora reconheça que grande parte da alta nos preços pode estar relacionada às tarifas comerciais, Powell ressaltou que é desafiador atribuir toda a piora inflacionária às medidas da administração do presidente dos EUA, Donald Trump.
“Ainda há incerteza sobre como essas mudanças afetarão a economia”, acrescentou, destacando que a volatilidade do cenário econômico exige cautela.
Cautela na política monetária e sem pressa para cortes
Powell enfatizou que o Fed não tem pressa para ajustar sua política monetária e reforçou que as decisões futuras dependerão da evolução dos indicadores econômicos.
“Não há necessidade de cortes imediatos. Caso o mercado de trabalho apresente sinais de enfraquecimento, podemos flexibilizar a política, se necessário”, afirmou.
Apesar de considerar que a economia dos EUA segue resiliente, Powell admitiu que as tarifas comerciais já começaram a impactar os preços e que a desaceleração na queda da inflação pode gerar desafios.
Ele também comentou sobre os dados da Universidade de Michigan, que indicaram um aumento nas expectativas de inflação. De acordo com o levantamento, a projeção de inflação para 12 meses subiu de 4,3% para 4,9%, enquanto a de cinco anos avançou de 3,5% para 3,9%. Powell, no entanto, classificou esses números como “fora da curva”, sugerindo que podem ser leituras atípicas.
Juros seguem em “bom lugar”, mas Fed mantém vigilância
O presidente do Fed reforçou que não vê necessidade de alterar a política monetária caso as expectativas de inflação se ajustem naturalmente. Para ele, o atual patamar de juros ainda está adequado para equilibrar os objetivos de máximo emprego e estabilidade de preços.
“Nossa missão segue a mesma: manter o pleno emprego e garantir preços estáveis”, declarou Powell, ressaltando que qualquer revisão nas metas do Fed será um desafio, mas não está em discussão no momento.
Inflação segue acima da meta
Embora tenha reconhecido uma desaceleração da inflação nos últimos anos, Powell destacou que os preços ainda estão acima da meta de 2% ao ano.
As novas projeções do Fed para os índices inflacionários foram ajustadas:
- A previsão do PCE (índice de preços de gastos com consumo) para 2025 foi elevada de 2,5% para 2,7%.
- Para 2026, a estimativa passou de 2,1% para 2,2%.
- As previsões para 2027 e longo prazo foram mantidas em 2%.
Apesar disso, Powell chamou a atenção para sinais de desaceleração no consumo, indicando que os gastos das famílias norte-americanas estão se moderando.
“Os indicadores recentes sugerem que os consumidores estão mais cautelosos”, afirmou.
Risco de recessão está no radar do Fed
Ao ser questionado sobre a possibilidade de uma recessão, Powell admitiu que o risco sempre existe, mas minimizou essa preocupação.
“A economia dos EUA segue saudável, mas os sinais apontam para um viés de desaceleração”, afirmou.
Ele reconheceu que a probabilidade de uma recessão aumentou, mas classificou esse risco como moderado.
“As chances de recessão eram extremamente baixas, agora subiram um pouco, mas ainda não são alarmantes”, disse Powell.
O presidente do Fed ressaltou que a instituição segue monitorando os dados econômicos e reiterou a importância de separar “sinais concretos de ruídos momentâneos”.
“Ainda é difícil comprovar cientificamente que a inflação de bens foi impulsionada apenas pelas tarifas”, afirmou.
Ele encerrou a coletiva destacando que o Fed continuará avaliando os impactos das políticas comerciais e da inflação, mas que será necessário aguardar os próximos meses para ter uma visão mais clara sobre a economia.