Os Estados Unidos ampliaram as restrições econômicas contra o Irã nesta sexta-feira (24), com um pacote que atinge o sistema financeiro tradicional e ativos digitais. As novas medidas incluem o congelamento de cerca de US$ 344 milhões em criptomoedas e limitações impostas a companhias e navios envolvidos no transporte de petróleo iraniano. O movimento reforça a estratégia de Washington de sufocar as fontes de financiamento do regime de Teerã.
Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a pasta “continuará a degradar sistematicamente a capacidade de Teerã de gerar, mover e repatriar recursos”. A ação foi coordenada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), que vem ampliando o escopo das designações para alcançar redes financeiras e logísticas usadas para burlar controles internacionais. Ao atualizar a lista, a pasta busca fechar brechas regulatórias e operacionais.
Como parte do esforço, o pacote foca o universo cripto e expande o monitoramento de fluxos digitais. O Tesouro atualizou a designação do Banco Central do Irã, incluindo endereços de wallets supostamente vinculados à instituição. Essa iniciativa reforça a percepção de que as sanções agora cobrem mecanismos alternativos de liquidez, usados para mascarar origem e destino de recursos em plataformas globais.
No setor energético, alvo histórico das medidas, o OFAC adicionou 20 entidades e 20 embarcações ligadas ao transporte de petróleo bruto, derivados e gás liquefeito de petróleo. As estruturas sancionadas operam em China, Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Panamá, Ilhas Marshall e Libéria. O objetivo é desarticular redes marítimas e comerciais que sustentam a receita petrolífera iraniana.
A chinesa Hengli Petrochemical foi incluída no pacote, com licença específica para liquidar transações em andamento. A autorização temporária busca mitigar choques imediatos de oferta e dar previsibilidade a compradores e operadores logísticos, sem enfraquecer o efeito dissuasório das medidas. A calibragem indica preocupação com a estabilidade de preços no curto prazo.
Para o mercado de criptoativos, a pressão regulatória tende a crescer, com maior rastreabilidade de carteiras, exigências de conformidade e cooperação entre exchanges. Já para o comércio de energia, a estratégia mira corretoras, armadores e seguradoras marítimas, ampliando o custo de intermediação. No conjunto, as novas sanções pretendem reduzir a capacidade de financiamento externo iraniano e aumentar o custo de evasão.