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Dólar recua, rompe marca de R$ 5,70 e fecha em R$ 5,6824 com dados fracos nos EUA

Dólar recua, rompe marca de R$ 5,70 e fecha em R$ 5,6824 com dados fracos nos EUA
dólar. Foto: Pixabay

Nesta terça-feira (1º), o dólar à vista registrou queda de 0,40% e encerrou o dia cotado a R$ 5,6824 — abaixo do patamar de R$ 5,70 no fechamento pela primeira vez desde 20 de março. A moeda norte-americana chegou à máxima de R$ 5,7323 e à mínima de R$ 5,6734 durante a sessão. No acumulado do ano, o dólar agora apresenta desvalorização de 8,05%.

Após abrir em leve alta, a moeda passou a cair ainda pela manhã, em movimento alinhado ao cenário externo. Indicadores abaixo do esperado nos Estados Unidos, especialmente nos setores de trabalho e indústria, reforçaram a percepção de desaceleração da economia americana, às vésperas do anúncio de novas tarifas por parte do presidente Donald Trump.

Na segunda-feira (31), o real teve o melhor desempenho entre as principais moedas globais, com exceção do rublo. Já nesta terça, sua performance foi inferior à de outros pares latino-americanos, como os pesos mexicano e chileno. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes, ficou praticamente estável.

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Para analistas, o arrefecimento da economia dos EUA — desde que não evolua para uma recessão — reduz o apelo do dólar e favorece moedas de países emergentes. Esse movimento ganha força diante da possibilidade de o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, realizar dois cortes de juros ao longo deste ano, conforme sinalizado na reunião de março.

Claudio Pires, sócio e diretor da MAG Investimentos, destaca que o Fed já projeta que a política tarifária de Trump resultará em menor crescimento e uma inflação transitória. “A dinâmica dos mercados está em linha com as projeções do Fed. Isso abre espaço para um dólar mais fraco, queda nas taxas dos Treasuries e valorização das moedas emergentes”, explica.

Indicadores aumentam pessimismo sobre economia dos EUA

Entre os dados divulgados nesta terça-feira, o índice de atividade industrial (PMI) do Instituto para Gestão da Oferta (ISM) recuou de 50 em fevereiro para 49 em março, abaixo da expectativa de 49,5. Números inferiores a 50 sinalizam retração na atividade industrial.

A consultoria britânica Capital Economics avalia que essa queda reforça a ideia de que os EUA vivem um cenário de estagflação. Para a empresa, as políticas comerciais implementadas por Trump, ao invés de revitalizarem a indústria americana, têm contribuído para uma desaceleração do setor.

Outro dado relevante veio do relatório Jolts, do Departamento do Trabalho, que apontou queda na abertura de vagas para 7,568 milhões em fevereiro, abaixo da previsão de 7,65 milhões. Esses números aumentam as expectativas em torno do relatório oficial de emprego (payroll) de março, que será divulgado na sexta-feira (4).

Nos últimos dias, dirigentes do Fed reforçaram que a política monetária atual está bem ajustada ao cenário de incerteza causado pela oscilação das tarifas de Trump. Mary Daly, presidente do Fed de São Francisco, afirmou nesta terça-feira que esse ambiente incerto ainda não está paralisando a economia. Por outro lado, Thomas Barkin, presidente do Fed de Richmond, alertou que o mercado de títulos já começa a refletir sinais crescentes de risco de recessão.

Embora esse não seja, no momento, o cenário mais provável, Claudio Pires ressalta que uma eventual recessão nos Estados Unidos — ou até global — causada pela disrupção nas cadeias produtivas decorrente da guerra comercial, pode aumentar a aversão ao risco e fortalecer novamente o dólar.

No caso brasileiro, segundo ele, o real está relativamente menos exposto devido à expectativa de novo aperto monetário, com a taxa Selic podendo chegar a 15%. “No lado fiscal, não houve boas notícias recentes, mas o dólar já corrigiu parte dos excessos do ano passado. E o real segue com o melhor carrego do mundo”, conclui Pires.

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